A palavra Deus, para mim, é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana; a Bíblia, uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis.

— Albert Einstein
Mostrando postagens com marcador ciencias e universo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ciencias e universo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de março de 2012

Cientista afirma ter encontrado sinais de vida extraterrestre em meteorito

Artigo passará por revisão de 100 especialistas e mais de 5.000 cientistas

Candidato a alienígena: a imagem mostra o filamento encontrado por Richard Hoover dentro do meteorito. Segundo a análise feita em um microscópio eletrônico, presença de compostos orgânicos podem indicar que se trata de uma bactéria fossilizada Candidato a alienígena: a imagem mostra o filamento encontrado por Richard Hoover dentro do meteorito. Segundo a análise feita em um microscópio eletrônico, presença de compostos orgânicos podem indicar que se trata de uma bactéria fossilizada (Journal of cosmology)
O pesquisador Richard Hoover, coordenador de um grupo de astrobiologia da Nasa, anunciou ter encontrado fósseis de vida extraterrestre em fragmentos de meteoritos. A descoberta está relatada em um artigo publicado no periódico Journal of Cosmology, com acesso online livre. Segundo a revista, foram convidados 100 especialistas e 5.000 cientistas para revisar o artigo "por causa da natureza controversa da descoberta".
O anúncio cria expectativa na comunidade científica porque Hoover é um bem reputado cientista da Nasa e trabalha há muitos anos analisando material contido em meteoritos. Ele estudou fragmentos de vários tipos de meteoritos condritos carbonáceos, que podem conter níveis importantes de água e material orgânico. Nos fragmentos ele alega ter encontrado formas com aspecto de bactéria, que acredita terem se originado fora da Terra e não após a queda do meteorito no planeta.
Journal of cosmology
Prima do E.T: a bactéria Titanospirillum velox, que pode viver em ambientes hostis à vida
Prima do E.T: a bactéria Titanospirillum velox, que pode viver em ambientes hostis à vida
O principal argumento de Hoover é que os filamentos fossilizados possuem os mesmos compostos orgânicos, como carbono e enxofre, localizados nas mesmas posições de uma bactéria gigante terrestre, a Titanospirillum velox. Trata-se de uma bactéria extremófila, ou seja, que vive em ambientes bastante hostis à vida. Boa parte da pesquisa da Nasa sobre astrobiologia se baseia no estudo das formas de vida extremófilas, as principais candidatas a serem encontradas em outros planetas.
"Estas bactérias fossilizadas não são contaminantes terrestres (bactérias terrestres que possam ter contaminado o meteorito). São restos fossilizados de organismos vivos que existiram em corpos celestes similares aos deste meteoro, como cometas e luas", afirmou Hoover.
Confirmação - Estudos afirmando que os meteoritos podem conter micróbios extraterrestres não são novos e já despertaram grandes debates sobre como poderia existir vida no espaço e como e onde a vida poderia ter se originado no universo. Vários outros meteoritos encontrados pela Nasa continham traços do que poderia ser vida extraterrestre, mas nunca houve confirmação. Em dezembro do ano passado, a Nasa anunciou a descoberta de uma bactéria terrestre que se comporta como extraterrestre.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Esperando a Nave-Mãe

Conto pessoal, da série “Festa estranha”, com depoimentos de Rafael Arrais acerca de suas experiências espiritualistas. Baseado (ou não) em fatos reais. Os nomes usados são fictícios (exceto para pessoas públicas).
« Este conto é uma continuação direta de “Fotografando auras”
Quando subi a escada de madeira que dava na sobreloja do endereço que Inês havia me passado – a tal “casa esotérica” onde encontraria Carla e poderia iniciar meu “desenvolvimento na paranormalidade” – confesso que não estava nem um pouco assustado... Esse sempre foi o meu trunfo e minha maldição ao lidar com assuntos “do outro mundo”: minha curiosidade sempre foi muito maior do que meu temor ante o assunto.
Mas, quando cheguei na pequena sala de espera, que mais parecia de um consultório ondontológico, tive uma decepção e um temor. A decepção foi ter encontrado apenas um garoto mais ou menos da minha idade sentado numa cadeira – esperava encontrar algumas “esotéricas bonitinhas”, não nego. O temor foi devido ao ar de assombro com que o jovem me encarou, ele parecia estar com tanto medo de mim, ou de “sei lá o que” que envolvia estar naquele ambiente, que eu mesmo acabei absorvendo um pouco daquele medo para mim.
Quando ia me dirigir a ele para perguntar sobre Carla, ela abriu uma porta que dava para a única outra sala da sobreloja, e me convidou a entrar. Carla era bem mais jovem e bonita do que Inês, mas nesse caso isso era algo estranho para mim – como poderia “ela ser a guru, e a outra a assistente”? Como podem ver, eu não tinha muita experiência no ramo, somente muitos anos depois descobri que em assuntos espirituais a idade não é garantia nem documento de nada.
deveríamos estar preparados para deixar a Terra de um dia para o outro
Mas, ao menos nesse caso, tanto Inês quanto Carla pareciam estar igualmente “confusas”... Minha conversa com Carla foi tão estranha que eu hoje mal lembro exatamente sobre o que conversamos. Tudo que me lembro foi que ela eventualmente me alertou para “a chegada das naves” e para como “deveríamos estar preparados para deixar a Terra de um dia para o outro”. Aquilo me deixou tão confuso que tudo que pude fazer foi concordar com a maior parte do que ela me disse, e tentar compreender melhor se aquilo fazia algum sentido posteriormente, lendo o livro que ela me indicou... De saída, passei numa livraria próxima onde o livro estava à venda. Chama “Projeto Evacuação Mundial” e foi escrito por Ergom Abraham, que normalmente é referido como “professor Ergom”, apesar se eu não saber até hoje o que exatamente ele ensina. Por sorte, o livro é tão fantástico e absurdo, que resolvi guardá-lo para a posteridade, do contrário não poderia trazer a vocês tantos detalhes sobre ele agora. Ele está aqui do meu lado, vou citar algumas passagens:
“Este livro é carinhosamente dedicado a Todos os Membros da “L.I.V.R.E.” – Legião Intergaláctica dos Voluntários Reais Espaciais, presentes no Planeta (trecho da Dedicatória, o primeiro que se lê no livro)”.
“De Jesus o Cristo:
Deve haver paz na Terra. Deve haver fim às guerras e ao ódio entre irmãos. Os milhões que vêm de outros mundos, de galáxias distantes para ajudar a trazer Paz à Terra, têm meu firme apoio e respaldo para todos os seus esforços [...] Eu sou Sananda e esta é minha mensagem ao mundo (trecho do Prólogo, onde temos o comunicado do comandante espacial Sananda, ou seja, Jesus Cristo)”.
“Vários milhões de voluntários universais caminham sobre a Terra: estão cheios de luz, completos em sua dedicação e consagração ao Governo Celestial, à Hierarquia Solar e a Confederação Intergaláctica, na salvaguarda do planeta. Os mais elevados Concílios Celestiais decretaram que aqueles eleitos sejam pessoalmente recolhidos a Terra, temporariamente postos em uma frequência superior dentro de nosso território, para ali serem preparados física e espiritualmente para as missões e operações a serem efetuadas (trecho de uma das mensagens de Ashtar, o comandante da Nave-Mãe que virá a Terra buscar “os eleitos”)”.
“Com quase um ano de antecipação, fui informada de que regressaríamos das reuniões com o Comando, com “algo para levar e usar” [...] Algumas trarão colares, outros anéis, broches, porém todos com pedras de cristal engastadas. O que importa nesses objetos não é a forma, mas sim o fato de que sejam levados e, de algum modo, colocados sobre o corpo (depoimento da médium Eve Carney, onde alerta sobre os “presentes” que os extraterrestres lhes darão, estranhamente seriam presentes um tanto quanto “terrenos”)”.

Vamos resumir rapidamente do que se trata o livro: Os tempos “estão chegados”, uma “nova era” se aproxima e ela não trará a princípio boas notícias para nosso planeta. Grandes desastres naturais e guerras causadas pela ignorância humana vão transformar a Terra em um inferno. Porém, alguns “eleitos” e “iniciados nos mistérios do Comando Ashtar” serão selecionados para escaparam do apocalipse terreno na Nave-Mãe do Comandante Ashtar e outras naves de sua frota. A esses seres “evoluídos espiritualmente” espera-se que a esperança da raça humana persista, e que possam povoar outros mundos, ou talvez este mesmo, quando retornarem para arrumar a bagunça que os “não eleitos” tiverem causado a Terra.
Antes que me perguntem: sim, a Nave-Mãe viria fisicamente ao planeta. E o “arrebatamento” seria também físico – nada de um intercâmbio de espíritos desencarnados, conforme relatos espíritas nos trazem, seria um evento puramente FÍSICO.
não posso afirmar a priori que o Comandante Ashtar e sua Nave-Mãe não existam
Agora o que eu achei do assunto? Bem, não posso afirmar a priori que o Comandante Ashtar e sua Nave-Mãe não existam, pois a ausência da evidência não é a evidência da ausência. Além disso, como os alienígenas se comunicam através de contatos com médiuns na Terra, e como eu acredito que a mediunidade exista, não poderia negar a priori a possibilidade desse tipo de contato. Dito isso, existem obviamente vários problemas graves com a teoria de Ergom: A. Se a “evacuação mundial” será física, e não espiritual, porque até hoje nenhum seguidor de Ashtar nos trouxe uma prova física de sua existência? Não precisava ser uma de suas naves a descer em frente à Casa Branca nem nada desse tipo, bastaria um artefato, um desses “colares” e “broches” que seriam entregues, contendo quem sabe um tipo de cristal inexistente na Terra. Mas não há nenhum tipo de evidência física.
B. Se “os tempos são chegados” e é preciso que as pessoas tenham fé na vinda da Nave-Mãe, para que sejam salvas, porque então não trazer uma evidência física? Esse tipo de coisa traria muito mais seguidores, muitos mais “candidatos à salvação”, do que apenas mensagens mediúnicas publicadas em livros esotéricos.
C. Porque diabos Jesus Cristo, ou o Comandante Sananda, sendo o regente interplanetário deste setor da galáxia (incluindo a Terra), iria simplesmente enviar uma nave para resgatar alguns poucos eleitos? Porque não enviar uma nave que pudesse trazer a tecnologia necessária para salvar a Terra das catástrofes vindouras? Porque não descer ele mesmo nessa nave, ou quem sabe o Comandante Ashtar, para que pudessem instruir nossos governos ao que deveria ser feito para salvar o planeta? Porque, enfim, deixar bilhões morrerem (incluindo os animais que não tem nada a ver com a história), para salvar alguns milhares?
D. Porque toda essa história se parece tanto com a crença bíblica de Céu e Inferno? Há no livro inúmeras referências ao “apocalipse bíblico” e as “muitas moradas” relatadas por Jesus... Mas, se toda essa história é apenas uma “versão futurista” do mito do fim do mundo, caímos de volta na fragilidade de muitas de suas afirmações. Eu poderia me estender sobre isso aqui, mas creio que basta lembrar de uma coisa: “Como poderemos ser nalguma felizes no Céu sabendo que boa parte dos seres da Terra, incluindo amigos próximos e familiares, estarão ardendo em um Lago de Enxofre?”.
A minha ideia de Céu não se parece com um Reino de Ócio nem com um “planeta novo a nossa espera”... O Céu se faz quando todos os seres se amam e auxiliam mutuamente. No Céu só poderemos entrar de mãos dadas, e se nalgum dia chegarmos lá antes de nossos irmãos, tudo o que desejaríamos seria retornar e ajudar os que aqui ficaram – pois isso seria a atitude natural de um ser amoroso.
Então, eu sinto muito, Ergom, e eu sinto muito, Comandante Ashtar, mas se quiserem pousar sua Nave-Mãe e “salvar seus eleitos”, que sejam bem vindos. Mas eu, eu ficarei. Ficarei para ajudar o planeta... E acho que isso resume o que tinha para dizer acerca do “Projeto Evacuação Mundial”.
Nunca mais voltei aquela “casa esotérica”, mas tem uma coisa que não me foge a memória... O garoto, o pobre garoto... Será que ele vive até hoje angustiado, esperando pela Nave-Mãe que não chega? Será que ele realmente se acha um paranormal?
Também não me perguntem o que o Comando Ashtar tem a ver com as fotografias Kirlian, até hoje não descobri... Felizmente, no entanto, nem todas as minhas festas estranhas foram tão sem sentido.

Isto não é o nada, parte 2





Está na hora de eu dar minha opinião sobre tudo isso... Apesar de admirar o pensamento de todos os autores citados acima – incluindo dos que discordo –, penso que ainda há uma forma de resumir estas questões da unificação fundamental, do surgimento da vida e do paradoxo de ainda não termos encontrado nenhum sinal de vida inteligente neste Cosmos tão grande.
Este é o problema, o paradoxo, e também a solução – ele é grande, muito grande, talvez não muito diferente, na prática, do infinito. Quando os cientistas descobriram a radiação de fundo cósmica, uma das maiores comprovações experimentais da teoria do Big Bang, também se depararam com um grande problema: como explicar como ela era tão homogênea?
Isto foi resolvido pela teoria do físico Alan Guth. A sua idéia é que, na aurora do tempo, o espaço inflou com uma velocidade absurdamente grande. Dois pontos que, inicialmente, eram vizinhos, durante a expansão ultra-rápida se distanciaram mais rapidamente do que a velocidade da luz. Para que o mecanismo funcionasse e pudesse explicar a geometria cósmica e a homogeneidade da matéria, e expansão tinha de ser exponencialmente rápida. Por isso, sua teoria ficou conhecida como Inflação Cósmica. Atualmente esta teoria é aceita pela grande maioria dos cientistas.
Uma das conseqüências da Inflação é o conceito de horizonte cósmico... Sabemos que nada material viaja mais rápido do que a luz, entretanto, durante a Inflação, o próprio tecido do espaço-tempo “inflou” de forma mais rápida do que a luz! Isso significa que existe um horizonte até onde podemos enxergar o universo – e além dele há o “universo desconhecido”, além do alcance da luz do nosso lado, do nosso horizonte, como uma América que jamais poderá ser alcançada por Colombo.
Diante dessas informações, eu muitas vezes me pergunto, ou melhor, me vejo fazendo a seguinte pergunta aos cientistas: “Meus caros, que parte do infinito vocês não entenderam?”
Os cientistas procuram por agulhas no palheiro cósmico, e ao não encontrá-las ficam algo inquietos e angustiados... Para os que seguem a bíblia, como Heeren, isso só pode significar que Deus escolheu mesmo apenas aquele povo perdido num deserto da terceira pedra do Sol, na periferia de uma dentre trilhões de galáxias; Para os céticos desiludidos com a busca pela unificação na ciência, ou pela busca da “vida abundante” no Cosmos, isso só pode significar que somos um raríssimo acidente em meio a um universo caótico e hostil; Ainda para outros, talvez mais moderados, isso tão somente significa que o Cosmos é grande, realmente grande – mas quão grande?
É aí que o infinito entra para bagunçar com todas as teorias e crenças de tantas mentes brilhantes. O infinito não se equaciona, está além da matemática e talvez mesmo além de nossa racionalidade... Mesmo assim, ainda é possível tentar vislumbrá-lo pela lógica, tal qual arriscou o grande Benedito Espinosa.
Em sua “Ética” (Ed. Autêntica), Espinosa analisa a questão da criação, do “porque existe algo e não nada?”. Podem acusá-lo de ser mais um “sonhador da unidade fundamental de todas as coisas” – tal qual o faz Marcelo Gleiser com certa propriedade –, mas apenas acusar não basta: é preciso resolver a questão, é preciso encarar ao infinito face a face. E até hoje, que me desculpem os seguidores da bíblia e cientistas céticos, dentre todas as teorias acima citadas, somente ele avançou efetivamente nesta questão.
Se algo não surge do nada, nem mesmo flutuações quânticas no vácuo, nem mesmo um espaço vazio ou um pensamento, então há que existir algo de incriado, algo de eterno. Espinosa o chamou de Substância, “a Substância que não poderia criar a si mesma”... Ora, como sabemos que espaço e tempo estão intimamente conectados, falar em eternidade é falar em infinito.
Comparativamente, o núcleo de um átomo em relação à órbita de seus elétrons corresponderia a um pequeno inseto no centro de um estádio de futebol, uma mosca no meio do Maracanã. O resto é espaço vazio, ou preenchido por alguma parte dos 96% de matéria ou energia escura que não interagem com a luz e, portanto, jamais foram detectados pela ciência – postula-se sua existência pela observação do movimento das galáxias, na media em que falta bastante matéria para explicá-lo.
Seguindo nesse pensamento, sabemos que apenas em nosso horizonte cósmico existem mais estrelas (sóis como o nosso, cheias de planetas à volta) do que grãos de areia em todas as praias da Terra! E mesmo que nem uma única forma de vida exista em torno desses trilhões e trilhões de sóis, lembrem-se de que estamos falando apenas de nosso horizonte, de até onde nossa luz pode chegar. No “universo desconhecido” temos praticamente um infinito de possibilidades. É muito difícil afirmar qualquer coisa do tipo “não existe vida fora da Terra” ante à tal infinito.
Procuramos por agulhas num palheiro cósmico, mas não devemos esmorecer se a busca tem se mostrado árdua... Não devemos esmorecer ante o infinito, pois ele é tudo o que há, ele é a Substância que abarca a todos nós. Procuramos por versões conscientes dessa Substância, mas por vezes esquecemos que também somos formados por ela, que também estamos encharcados desse mar por todos os lados.
Por mais rara que seja a vida na Terra, ela não se compara à raridade da simples existência de tudo o que há. Como os 4% da matéria que interage com a luz, ou como a ínfima quantidade de elementos pesados que possibilitam a vida como a conhecemos em meio a um oceano de hélio e hidrogênio, somos tão raros quanto a própria Substância. E mesmo que sejamos poucos na Terra, nos confins de nosso horizonte cósmico e além, certamente seremos muitos – tantos quanto às estrelas em meio ao infinito.
Da próxima vez que se angustiarem com a escuridão da noite, com a idéia do nada e da morte vindoura, lembrem-se de que também temos tantos neurônios em nosso cérebro quanto estrelas no céu, lembrem-se de tudo isso que nos lembramos, e pensamos, e sentimos, e intuímos. Lembrem-se e afirmem para si mesmos:
Isto não é o nada.
***
Crédito das imagens: Silent World

domingo, 27 de novembro de 2011

E se não houve um principio?



O Big Bang não é a única noção da origem do cosmo compatível com a física atual. A chamada cosmologia quântica de laços (“loop quantum cosmology”) está acumulando argumentos a favor de uma segunda possibilidade: que nosso universo tenha surgido do colapso de um universo preexistente. A teoria chegou agora ao ponto de maturidade necessária para fazer previsões que podem ser submetidas a testes experimentais. Caso se confirme, o Big Bang teria sido na realidade um Big Bounce – um grande rebote -, e o cosmo não viria de um ponto de infinita densidade, mas de uma sucessão de expansões e contrações talvez eterna, sem princípio nem fim.
A cosmologia quântica de laços tem a capacidade, pelo menos em princípio, de iluminar aquelas regiões do passado onde nem sequer alcança a grande teoria atual do espaço, o tempo e a gravidade, que é a relatividade geral de Einstein. As equações de Einstein se desfazem na origem do universo, que por isso constitui uma “singularidade” matemática, um ponto de densidade infinita que não pode ser explicado pela teoria da relatividade de Albert Einstein.
A relatividade geral é um dos dois pilares sobre os quais se baseia a física atual. Outro é a mecânica quântica. Em traços gerais, a primeira descreve as grandes escalas – o comportamento de planetas, estrelas, galáxias e suas interações gravitacionais -, e a segunda atua no mundo subatômico. As duas são teorias de enorme capacidade de previsão, que superaram as provas experimentais mais exigentes a que foram submetidas em seus respectivos âmbitos.
Mas são incompatíveis entre si, e os físicos testaram duas grandes aproximações teóricas para superar essa discrepância, isto é, para agrupar a relatividade e a mecânica quântica sob um âmbito mais profundo, capaz de acolhê-las sem contradições. Uma delas é a teoria de cordas, e outra a gravidade quântica de laços, na qual se baseia a nova cosmologia do grande rebote.
A gravidade quântica de laços foi desenvolvida por Abhay Ashtekar, Lee Smolin, Carlo Rovelli e outros físicos desde a década de 1980. Sua principal qualidade é que o espaço não é um contínuo em pequena escala: assim como a matéria e a energia, o espaço é formado por quantias indivisíveis se o examinarmos muito de perto.
Cada um desses pacotes de espaço mede apenas cerca de 10^-35 (10 elevado a menos 35) metros quadrados, uma magnitude não apreciável nas escalas habituais, mas suficiente para evitar os paradoxos matemáticos da “singularidade”: espaço zero implica uma densidade e uma gravidade infinitas na origem do universo, mas se o espaço não pode chegar jamais a ser zero a gravidade também não tem que ser infinita ali. Isso permite que as equações da gravidade quântica de laços explorem as regiões do passado que eram proibidas para a relatividade de Einstein.
Quando Ashtekar e sua equipe desenvolveram há dois anos simulações detalhadas por computador do universo descrito pelas equações da gravidade quântica de laços – quer dizer, desenvolveram a cosmologia quântica de laços -, ocorreu algo inesperado. “Fiquei emocionado”, diz Ashtekar no último número da revista “New Scientist”.
O físico estava observando a simulação correr para trás no tempo, com o universo se tornando cada vez menor e denso em energia enquanto se aproximava o momento do Big Bang. Isso era o esperado. Mas, em vez de desmoronar em um ponto de densidade infinita – a singularidade do Big Bang -, a simulação do cosmo rebateu e começou a se expandir de novo. Se as equações estavam corretas, nosso universo não vinha da explosão de um ponto, mas do rebote de um universo anterior no processo de compressão: um Big Bounce.
A cosmologia quântica de laços não pinta um universo eterno salvo por oscilações de tamanho que poderíamos chamar de “convencionais” em nenhum sentido tranqüilizador. Se a teoria estiver correta – o que falta verificar -, o universo anterior ao nosso teria se contraído até alcançar uma densidade monstruosa, de 5×10^96 (5 vezes 10 elevado a 96) quilos por metro cúbico – a chamada densidade de Planck -, antes de rebater e dar lugar à atual fase de expansão.
Nenhuma civilização poderia sobreviver a coisa semelhante. O que torna essa teoria notável é sua capacidade de evitar os infinitos da singularidade, ou para esquivar-se dos paradoxos matemáticos derivados do espaço zero. No que se refere à metafísica, um Big Bounce não parece muito diferente de um Big Bang de pleno direito.
E só a gravidade poderia deter e reverter a atual expansão do cosmo para dar lugar a um novo ciclo cósmico. A matéria do universo não parece ser suficiente para isso, e a maioria dos modelos continua prevendo uma expansão acelerada e irreversível.
Nosso cosmo vai rebotar?
Que o universo inverta ou não sua tendência atual, para iniciar uma compressão que possa conduzir ao próximo rebote, depende criticamente de dois mistérios profundos: a matéria escura e a energia escura, que constituem 95% do que existe.
A matéria normal consiste em estrelas e – sobretudo – gás incandescente situado entre as galáxias que formam cada cúmulo galáctico. Mas a soma das galáxias com o gás não dá massa suficiente para manter o cúmulo unido pela atração gravitacional entre suas partes. Daí a necessidade teórica da matéria escura – 20% do universo.
O outro mistério, a energia escura que forma os 75% restantes do cosmo, têm a mais curiosa das histórias na física teórica. Segundo a relatividade geral – a teoria da gravidade que Albert Einstein descobriu em 1916 depois de dez anos de luta intelectual -, os objetos deformam o espaço e o tempo – o espaço-tempo – de seu entorno, como uma bola de basquete deforma uma cama elástica. Se houver outra bola rolando pelas proximidades, a deformação fará que caia em espiral em direção à primeira – e vice-versa. Essas danças geométricas dos objetos em queda livre pelas curvaturas do espaço-tempo são a gravidade.
Mas a relatividade geral tinha um problema grave que Einstein não pôde ignorar: se os acúmulos de galáxias deformam a cama elástica do espaço-tempo, o universo deveria desmoronar para baixo. Como em 1916 o universo era estático, Einstein inventou uma força ou pressão repulsiva – imaginem um ventilador situado embaixo da cama elástica – que viria compensar as deformações causadas pelas bolas. Ele a chamou de constante cosmológica e escolheu sua magnitude de maneira arbitrária e cuidadosa para que o universo pudesse continuar sendo estático em grande escala.
O artifício de Einstein equivale a pedir que uma bola fique parada sobre o aro da cesta – não é uma metáfora: a equação é exatamente a mesma. É quase certo que a bola entrará ou sairá, e o segundo equivale à expansão cósmica que observamos. A energia escura – o motor dessa expansão acelerada – parece ser justamente essa constante cosmológica inventada por Einstein, só que sem o artifício da cesta. A constante foi descartada por pelo físico alemão – “o maior erro de minha carreira”, disse – quando se descobriu a expansão do universo, mas foi recuperada em tempos recentes ao se saber que esta era acelerada.
Fonte: El Pais

Jornalistas x Ciência: A arte de desinformar

O Brasil tem um problema sério com seu jornalismo. Eles deveriam ser um veículo de informação, mas agem no sentido inverso. Quando o STF derrubou a obrigatoriedade do diploma de jornalista, muitos chiaram. Não sei porque. Por que precisamos de jornalistas? Para darem uma informação, uma notícia? Qualquer um pode fazer isso. Um belo exemplo do “qualquer um pode fazer isso” é a costumeira publicação de besteiras que as revistas Veja e Isto É proporcionam. É lamentável que tais veículos tidos como “de informação” consigam transmitir, não só pouco conhecimento, como divulgar bobagens e incorreções, como foi o caso onde a Isto É divulgou um avanço da ciência onde pesquisadores “criaram” uma proteína humana em uma simulação das condições climáticas de Titã, a maior dos satélites naturais de Saturno. Peguem refrigerante e pipoca, pois vamos mostrar um verdadeiro festival de idiotices.
Tudo começa com uma manchete. O que seria dos jornais sem as manchetes? Principalmente, sem os exageros inerentes? Acho que ninguém leria (se bem que a maioria só lê o título mesmo). Assim, a pseudo-reportagem da Isto É começa de modo bombástico: Os domadores de Titã. Algo que parece ter saído direto da mitologia grega, como os nomes dos corpos celestes envolvidos. Examinando a “notícia”, eu me peguei brincando de Jogo dos Vários Erros. Leiam e vamos ver quantos de vocês são capazes de encontrar.
Leram? Beleza, vamos começar:
Rex, vamos passear?
Cientistas brasileiros criam proteína humana em laboratório que simula as duras e extremas condições ambientais da maior lua de Saturno.
O subtítulo, à guisa de resumo, falam que cientistas brasileiros criaram uma proteína humana (prestem atenção a esta “humana”). Criaram? Do zero? Inventaram uma ou puseram comidinha pra filhotinha e esta cresceu? Será que o certo não seria sintetizaram? Seria. Mas a frase estranha é apenas um subtítulo. Com certeza eles explicarão melhor embaixo. E, em segundo lugar, chamam Titã de “lua”, quando o mais certo seria chamá-lo de satélite natural; se bem que para os leigos, é <b>lua</b> e acabou. Deveríamos dar um desconto nessa? Vocês é que sabem.
Fúria de Titãs
Destaque para o Brasil na edição da semana passada da revista americana “New Scientist”, umas das bíblias da comunidade científica mundial: dois pesquisadores da Unicamp, capitaneando uma equipe de químicos e biólogos, concluíram com sucesso uma experiência inédita e revolucionária no campo da astronomia. Mais: por meio dela agora se impõe com dados científicos a plausibilidade da hipótese de existência de formas elementares de vida onde tal fenômeno parecia inimaginável: na lua Titã, a maior do sistema solar e que orbita o planeta Saturno – sua superfície é de aproximadamente 56.850.000 km² e se distancia da Terra em interminável 1,2 bilhão de quilômetros
Adorei o ufanismo no início da frase. BRASIL-IL-IL! Sinto como se o Galvão Bueno estivesse escrevendo isso, o que explicaria muitas coisas. Em seguida, chamam a New Scientist de “bíblia da comunidade científica”. Sei lá, mas isso não soa correto. A New Scientist – como a Nature e a Science – não é uma “bíblia” ou verdade absoluta. É uma publicação científicaque, apesar de não possuir revisão por pares, é respeitada. Revisão por pares é o tipo de revisão que acontece quando você encaminha um artigo a uma determinada publicação. Outros cientistas examinarão seu texto, verão seus métodos de pesquisa (devidamente descritos tim-tim por tim-tim), e analisaram os resultados tentando encontrar alguma brecha. Se houver, eles devolvem e pedem para esclarecer ou mesmo reescrever certas partes. Eu nunca vi uma publicação que não tenha sido rejeitada de início, com solicitação para exame e clarificação de determinados trechos. Mas jornalistas não sabem isso.
A seguir, o jornalista diz que químicos e biólogos “concluíram com sucesso uma experiência inédita e revolucionária no campo da astronomia”. Isso teria a ver com órbitas planetárias? Sim, porque astronomia cuida somente disso: dos corpos celestes. Não confundir com astrobiologia ou astroquímica; mas vamos considerar que tudo isso esteja no cerne da Astronomia, como um todo (serei bonzinho dessa vez). A propósito, não vou nem mencionar a falta de concordância da palavra “interminável” (que por sinal tem fim em 1,2 bilhão de quilômetros).
Respondem pelo experimento os pesquisadores Sérgio Pilling e Diana Andrade, que lograram reproduzir em laboratório o inóspito ambiente de Titã e, a partir daí, nele obter uma das principais proteínas imprescindíveis à vida, a adenina – ela mesma, a letra A das bases que compõem o DNA humano e que dá “leitura” genética somente quando se combina com a proteína timina.
Do jeito que o texto é colocado, parece que reproduziram todo o ecossistema de Titã, o que não foi o caso. O que a equipe de pesquisadores fez foi desenvolver o experimento de Stanley Miller e Harold Urey, que, na década de 1950, desenvolveram o experimento que é considerado um marco histórico nas pesquisas a respeito da origem da vida, a Sopa Orgânica. Ao disparar descargas elétricas sobre uma mistura de hidrogênio, água, amônia e metano, com que procuravam simular condições semelhantes à atmosfera primitiva da Terra, Milley e Urey conseguiram fazer surgir espontaneamente dois aminoácidos indispensáveis à vida: a glicina e a alanina.
Na referida experiência, a equipe usou o Laboratório Nacional de Luz Síncroton, em Campinas, para simular o efeito da radiação solar na faixa dos raios X na atmosfera de Titã. “Durante três dias, bombardeamos uma mistura de nitrogênio, metano (cerca de 5%) e um pouco de água com raios X e ultravioleta, que são radiações eletromagnéticas que estão em toda a parte nos céus. Assim, o que temos é um exemplo da atmosfera de Titã, junto com interações de emissões eletromagnéticas na faixa do ultravioleta e dos raios-X. Isso é muito pouco para chamar de “condições climáticas”.
Agora vem o verdadeiro genocídio científico, começando por chamar a adenina de proteína. Proteínas são macromoléculas, ou seja, polímeros. Polímeros são moléculas de grande massa molecular, estabelecendo ligações com diversas unidades iguais (monômeros), de modo quase infinito. Proteínas são formadas por aminoácidos, através de ligações peptídicas. Para saber mais sobre proteínas, acesse AQUI. A adenina é uma base nitrogenada da classe das purinas. Na imagem ao lado, podemos ver uma representação da sua fórmula estrutural em duas dimensões, onde notamos que é tão somente um composto heterocíclico nitrogenado, e não um polímero. O pior é que dizem que a adenina é uma proteína HUMANA! Pelas calcinhas de Hera, quer dizer que somente existe adenina nos seres humanos? Provável, porque os irresponsáveis que escreveram isso ainda continuaram no estupro científico alegando que a adenina é a letra A do DNA. Argh! Isso fará o leigo perguntar: “O que são as letras D e N?”. Quando falam isso parece que só seres humanos possuem DNA.
Resumidamente (e MUITO resumidamente), o DNA é um encadeamento de diversos nucleotídeos. Cada nucleotídeo é formado por diversas bases nitrogenadas (leia mais AQUI). Essas bases nitrogenadas são: Adenina, Guanina, Citosina e Timina (ou A, G, C e T). A Adenina e a Guanina são purinas, enquanto que a Citosina e a Timina são pirimidinas. Quando se dá a hélice dupla, os compostos de uma das “fitas”, que seriam a sequência de bases, estabelecem ligações de hidrogênio, que errôneamente chamam de Ponte de Hidrogênio. As ligações de hidrogênio são interações fracas, o que explica a sua grande importância em sistemas bioquímicos e mesmo na química. Elas são extremamente importantes por serem responsáveis pela ligação de cadeias peptídicas em proteínas e por ligarem pares de bases nas gigantescas moléculas contendo ácidos nucléicos, que é o que estamos discutindo aqui.
Purinas estabelecem pontes de hidrogênio com timinas, mas não com outras purinas; no caso da adenina, ela somente estabelecerá este tipo de ligação com a timina, enquanto que a guanina estabelecerá ligações de hidrogênio com a citosina. Dizer que a adenina se “combina” com a timina é uma ATROCIDADE, algo que faz um químico colocar as mãos entre as pernas e dizer “UUUUUUUFFFFFFFFFF”. Combinação infere em uma reação química. Se existe reação química (ou, como alguns idiotas nos colégios estão chamando: transformação química), então haverá a produção de novos componentes. Não há. Adenina continuará sendo adenina, timina continuará sendo timina e jornalista da Isto É continuará sendo imbecil.
O jornalismo científico brasileiro é um lixo! Publica-se qualquer besteira sem o menor critério, sem a menor responsabilidade. Um outro exemplo que ilustra isso foi postado pelo Carlos Hotta do Brontossauros no meu Jardim, onde ele mostra a indignação que todos nós, cientistas e amantes do conhecimento, temos quando vemos estas arbitrariedades. Em sua postagem Revista Veja #FAIL ao quadrado!, ele mostra a irresponsabilidade da Veja (curiosamente, da mesma editora que publica a Isto É) ao não ficar só informando errado, mas se sentindo no arrogante direito a não informar direito, soltando a seguinte pérola:
(…) Por não ser uma revista científica, VEJA pode sim representar os genes como bolinhas. Cometeríamos erro se tivéssemos trocado os genes pelo DNA ou coisas do gênero. As imagens publicadas foram obtidas em bancos de imagens e estão identificadas da mesma forma como aparecem em VEJA.
Aqui vemos o total compromisso da Veja Multiuso (extensivo à Isto É) em apenas o lucro, e não informar. Não se sentem na obrigação de informar direito, então qual obrigação os prende em publicar outras notícias com acurácia e seriedade? É uma vergonha que isso exista nesse país, pois, ao meu ver, deveriam responder processo por alienação cultural. Realmente, são revistas independentes. Elas não dependem de veracidade em suas redações para fazer sucesso. Dependem de uma população de pseudoleitores.
Para você, que quer saber exatamente o que a New Scientist trouxe, e que os vendedores de jornal ignoraram, o link é ESTE, e quando alguém o olhar com superioridade, citando a Veja ou Isto É, como fonte de informação, pode rir à vontade que eu deixo.

Andre:ceticismo.net

sábado, 29 de outubro de 2011

Cientistas acham outros universos, mas nada de Deus até agora




Esta notícia é espetacular. Cientistas estão investigando indícios da existência de outros universos além do nosso!


Na teoria, isso seria impossível. Universos são, vamos dizer assim, “encapsulados por suas próprias leis da física”. Não dá pra olhar algo fora do universo. Isso fazia com que só pudéssemos ficar com conjecturas, 
mas sem nunca poder saber realmente se existissem esses universos.


Mas tem gente que pensa fora da caixa, como os doutores Hiranya Peiris, Daniek Mortlock, Matthew Johnson e Stephen Fenney. A idéia, de maneira bem simplificada, é a seguinte: Se algum universo já esbarrou no nosso, ele
provavelmente amassou a lataria. Ou seja, apareceria alguma coisa na radiação cósmica de fundo, que é praticamente a única coisa que existe em todo o universo e que nos permite fazer afirmações sobre ele — como a de que ele tem cerca de 13 bilhões e 750 milhões de anos.


Estudando preliminarmente a radiação de fundo com base nos dados do telescópio Plank, que mapeou a radiação vinda de todo o universo, um grupo de cientistas publicou um estudo onde encontraram quatro marcas que indicam que o nosso universo já foi atropelado algumas vezes na sua infância.
Recomendo que vejam mais a respeito dessa notícia no texto do Cardoso no MeioBit.


Agora… não é estranho que cientistas conseguem achar universos além do nosso e até agora necas de pitibiriba de Deus? A gente não deu conta de saber de tudo que aconteceu neste nosso e já achamos quatro outros universos. Como que por que cargas d’água não se consegue achar Deus através da ciência? Só uma coisa pode explicar o que acontece: Deus provavelmente não existe. Agora que você já sabe, pare de me acordar domingo de manhã.


Esse tipo de coisa faz a gente enxergar o universo de outra maneira. Nos mostra quão estúpidos os humanos podem ser ao pensar que existe um criador de todas as coisas com pensamento e comportamento humanos, preocupado com o que acontece no nosso planeta, que nada mais é do que uma partícula num vasto universo… que nem é único! Existem pelo menos mais quatro! Porra véio! Acham mesmo que com esse tipo de conhecimento eu vou me preocupar em ir numa igreja dar dinheiro pra pastor? Religião é tão… egocêntrica quando você para pra pensar.


Fontes: BBC, MeioBit, O Bruxo de Santos,Ateus do brasil

sábado, 22 de outubro de 2011

Especialistas planejam a defesa planetária contra um asteroide



É bastante pequeno – as últimas observações indicam que mede cerca de 270 metros -, mas o asteróide Apofis poderia causar uma catástrofe de grandes proporções e conseguiu galvanizar os esforços de cientistas e engenheiros de muitos países para defender a Terra das ameaças que vêm do espaço.
Ouvindo-os no Congresso de Defesa Planetária, que reuniu 180 deles em Granada (sul da Espanha), pode parecer que se preparam para uma guerra: falam de ameaças, de que há muitos inimigos lá fora e da necessidade de que os seres humanos tomem consciência do risco constante a que estão submetidos.
Mas basicamente demonstram o nascimento e rápido desenvolvimento de uma nova área de pesquisa, especialmente adequada para a cooperação internacional, que busca seu lugar entre as ciências espaciais. O astronauta espanhol Pedro Duque diz claramente: “É uma nova era; o risco é real e agora é mensurável, e temos a tecnologia para detectá-lo e tentar evitar suas consequências”.
O Apofis, descoberto em 2004, se aproximará muito da Terra daqui a 20 anos, em 13 de abril de 2029, mas por enquanto o risco de impacto dessa aproximação é nulo. No entanto, como passará na altura da órbita geoestacionária (36 mil km, menos de um décimo da distância da Lua), teme-se que a perturbação gravitacional o situe então em rota de colisão com nosso planeta em 13 de abril de 2036.
A probabilidade de colisão é de 1 para 45 mil e há muitos fatores pouco conhecidos para se afirmar alguma coisa, mas mesmo que passe ao largo em 2036, como seguramente o fará, o Apofis já é o asteroide mais acompanhado e estudado da história, o catalisador de esforços internacionais sem precedentes para se enfrentar as ameaças espaciais.
A pedido do Congresso dos EUA, a Nasa tentou detectar os asteroides potencialmente perigosos (que se aproximam da Terra) de mais de um quilômetro de diâmetro, e após dez anos dá o trabalho praticamente por terminado. Agora os especialistas indicam que chega a hora de detectar os maiores de 140 metros, que, como o Apofis (único dos mais de mil asteroides potencialmente perigosos detectados que apresentam um risco apreciável de impacto), também podem causar muito dano.
No entanto, Don Yeomans, encarregado da questão na Nasa, explica que há pouco dinheiro para fazer isso e que é necessária a cooperação internacional. São da mesma opinião o astrofísico Rafael Rodrigo, presidente do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), e Jean-Michel Contant, da Academia Internacional de Astronáutica, também presentes no congresso.
O Apofis está hoje perto demais do Sol para ser observado. Segundo Jon Giorgini, do Laboratório de Propulsão a Jato, as observações ópticas poderão ser retomadas no final de 2010 e as de radar em 2013, mas é muito possível que não se consiga saber a probabilidade de impacto para 2036 até que chegue 2029, quando o asteroide será visível da Terra sem instrumentos. Então se conhecerá sua massa, sua velocidade de rotação, sua forma e suas características técnicas, e será possível avaliar a influência em sua trajetória de sua passagem pela Terra. Resta muito tempo, e mudanças físicas muito pequenas podem produzir mudanças muito grandes no mundo, lembra Giorgini.
Prever aproximações perigosas como a do Apofis é só o primeiro passo. Os especialistas indicam a necessidade de ter missões espaciais preparadas para tentar desviar os asteroides. Estão divididos sobre a conveniência de se utilizar a energia nuclear, mas é uma opção.
“Há três tipos de missões possíveis, sempre para empurrar o asteroide e desviá-lo, e não para destruí-lo, o que seria ainda pior”, explica Duque. São uma explosão nuclear próxima, um veículo que o empurre (trator gravitacional) e um impacto direto. Desse último tipo é o Projeto Don Quijote da Agência Espacial Europeia (ESA na sigla em inglês), ainda sem financiamento.
Na Deimos, a empresa espanhola que concebeu o Don Quijote, o estão adaptando para mandar um orbitador a Apofis, uma sonda que se aproximará e será colocada em órbita dele para conhecer melhor sua trajetória e outras características. “Poderia sair em 2015 e chegar em 2017, explica o responsável, Juan Luis Cano. Se a ESA aprovar a missão, seria de demonstração tecnológica mais que científica e deveria ter um custo baixo. Por enquanto não flui o dinheiro que os especialistas espaciais consideram necessário, mas esperam que na medida em que o Apofis se aproximar aumente a consciência social e política e se possam fazer inclusive missões de demonstração a outros asteroides não perigosos.
O ruim é que seja tarde demais. Também para isso se preparam os cientistas. Calculam as consequências dos impactos de asteroides de diversos tamanhos e concluem que mesmo um pequeno (entre 30 e 50 m de diâmetro, como o de Tunguska, na Sibéria) poderia destruir uma cidade, mas que se algum de tamanho maior cair no oceano o tsunâmi resultante teria consequências muito piores.
Fonte: El Pais

sábado, 17 de setembro de 2011

A GRANDE FARSA, O CO² NÃO ESTÁ DERRETENDO AS GELEIRAS DO PLANETA


Hoje é dia de mais um post polêmico aqui no Biologia na Medida Certa, o CO² está mesmo derretendo as geleiras do planeta? 

Nos outros posts sobre o Aquecimento Global expus a linha de raciocínio utilizada aqui no blog, mas vale lembrar.

O planeta passa sim por um processo de aquecimento, se bem que alguns indicativos mostram que esse aquecimento atingiu seu pico no ano de 1998, mas o que interessa dizer é que o CO² não foi, não é, e nunca será um fator determinante na regulação do clima do planeta.

Quando ouvimos a expressão "mudanças climáticas" somos condicionados a acreditar que nós, seres humanos, as estamos provocando, porém não é bem assim. O clima da Terra não é estático, passamos por períodos de resfriamento que culminam em Eras Glaciais, e posteriormente a temperatura volta a se elevar até atingir um pico ante de um novo resfriamento. Sendo assim constatamos que o resfriamento e o aquecimento global são processos naturais, sempre foi assim, independente da presença humana no planeta.

O que determina realmente as condições do clima na Terra é o Sol e os Oceanos, e no caso do sol, é em função de vários ciclos a que ele responde que faz com que, em intervalos de milhares de anos, a Terra esfrie e aqueça. Prova disso é o Aquecimento Global verificados em vários planetas do nosso Sistema Solar, e nem preciso citar que nesses planetas não existe atividade humana. São vários ciclos solares, com duração de 5 anos, 10 anos, 50 anos, 500 anos, 1000 anos, 10000 anos e por aí vai.

O DERRETIMENTO DAS CALOTAS POLARES

Para começar o real assunto deste post gostaria que o nobre leitor observasse com bastante atenção a imagem a seguir, pois é de fundamental importância para o entendimento do assunto a compreensão do raciocínio deste que humildemente lhes escreve:


Temos duas situações que, apesar de parecerem iguais, são bem distintas em relação ao derretimento devido ao Aquecimento Global em virtude do CO².

Na situação A podemos observar o real derretimento de uma calota, notem a água que escorre da parte de cima do bloco de gelo.

Na situação B podemos observar a imagem mais difundida e divulgada em relação ao derretimento das calotas polares em virtude do Aquecimento Global, um grande pedaço de gelo que se desprende do grande bloco.

Como eu disse, o planeta passa sim por um processo natural de aquecimento, e em algumas partes do planeta, veja bem, em algumas partes, ocorre o derretimento do gelo em virtude da alta da temperatura, evidenciado na situação A da imagem acima e novamente representado na figura logo abaixo:


O gelo derrete como um todo nesse real processo de derretimento. Seria como alguém colocar uma pedra de gelo dentro de uma estufa, essa pedra derreterá por completo, e não terá pedaços se desprendendo dela. Agora eu pergunto, quantas imagens desse real derretimento você vê na mídia? Pouquíssimas imagens, pois esse é um processo natural, sempre ocorreu após uma era glacial, e com certeza com o resfriamento do planeta esse gelo voltará a se formar.

Agora a situação B, quantas vezes você vê essa imagem na mídia quando o assunto é Aquecimento Global?


Sempre, pois ela é alarmante, tem o poder de criar uma sensação de catástrofe nas pessoas. Mas se o clima está mais quente esse gelo deveria derreter como na situação A, e não somente em sua base, que é o que faz com que ele se desprenda e caia na água. Para isso há uma explicação científica, lógica e racional.

Essas imagens mostram o desprendimento de blocos de gelo no Ártico, no hemisfério norte, já que na Antárdida, desde que começaram a fazer medições, isso a 60 anos atrás, tem-se observado um aumento na quantidade de gelo naquele local. Isso não deveria acontecer, pois se o clima mais quente derrete as geleiras isso deveria valer também para a região sul do planeta, porém vamos nos concentrar no problema do Ártico que é o mais comentado.

Esse processo de desprendimento de grandes pedaços de gelo das calotas é natural. Notem que em muitas reportagens utiliza-se o seguinte termo, por exemplo, a quantidade de gelo é a menor em 60 anos, isso deixa claro que a mais de 60 anos atrás existia menos gelo do que a 60 anos,  a 60 anos o gelo atingiu seu nível máximo e depois disso começou a se desprender novamente até os dia atuais. Isso mostra que o processo sempre existiu, obedecendo a um ciclo, o gelo começa a se desprender das calotas, depois esse gelo se forma novamente e então começa a se desprender mais uma vez. Existiram várias expedições no início do Século XX destinadas a verificar o motivo do "derretimento", e como o gelo voltou a se formar, agora as atenções se voltam novamente para o seu desprendimento. Entre 1938 a 1942 o desprendimento de grandes blocos de gelo das calotas do Ártico foi imensamente maior do que é hoje, sendo que em 2007 o encolhimento do gelo atingiu a ordem de 3 milhões de quilômetros quadrados, porém os dados de setembro de 2009 mostram a clara recuperação do gelo, inclusive sendo maior do que em 2005.

Esse processo de desprendimento de blocos de gelo das calotas ocorre em grande parte devido a um ciclo lunar de 16,88 anos, onde verificamos que a órbita da lua realiza um movimento de precessão, mais ou menos como se fosse um pião em torno do nosso planeta.

Quando esse ciclo está em seu ápice, no caso entre 2005 e 2007, os oceanos tropicais, a mais ou menos uma latitude Norte e Sul de 40°, ficam um pouco mais elevados do que o oceano do Ártico. Esse desnível faz com que as correntes oceânicas quentes (Kuroshio no Pacífico e a do Golfo do México no Atlântico) levem mais calor dos Trópicos para o Ártico, pois a água viaja um pouco mais rápida rumo ao norte e chega lá mais quente, cerca de 1°C. Essa água com temperatura mais elevada entra por baixo do gelo e derrete dua base, que representa 90% da estrutura da calota polar. Derretendo essa estrutura, os 10% de gelo que fica na superfície perde sustentação, ocasionando assim o desmoronamento de parte do gelo, sendo que o derretimento é em sua base, e não devido ao Aquecimento Global.

AUMENTO DO NÍVEL DO MAR

Gelo flutuante não causa o aumento do nível do mar, pois ele já desloca o volume que irá ocupar quando fundir.

Todo corpo mergulhado em um líquido recebe um empuxo vertical, para cima, igual ao líquido deslocado pelo corpo. O gelo possui densidade menor do que a água, devido a isso ele flutua. Quando ele derrete e passa do estado sólido para o líquido seu peso não sofre alteração, apenas a densidade passa de 0,9 para 1.

Vamos tomar como exemplo uma placa de gelo de 1.000Kg e densidade de 0,9 a deriva no mar, ocupando um volume de 1.111 decímetros cúbicos, sendo 111 acima da água. Essa placa de gelo ao derreter não perderá peso, continuará com os mesmo 1.000Kg, porém vai se reduzir a um volume de 1.000 litros (decímetros cúbicos), já que sua densidade será 1. Partindo do ponto que o peso não muda, o empuxo não muda, não havendo aumento no nível.

Faça a seguinte experiência em casa: pegue um copo e o encha de água até a borda, coloque uma pedra de gelo. Repare que ao passo que o gelo derrete a água não transborda do copo.


Algumas pessoas dizem o problema seria pedaços de gelo que se encontram a baixo daqueles que estão flutuando, você pode repetir a experiência com vária pedras de gelo.

Fica claro que o volume dos oceanos aumentou sim nos últimos 12 anos, porém notá-se que é um fenômeno natural, em virtude desse ciclo lunar. Esse aumento pode chegar a 10cm no ápice do ciclo, porém o que foi comprovado é que houve um aumento de 3cm.

É claro e evidente que temos que buscar fontes limpas de anergia, pois a queima de combustíveis fósseis causa vários problemas de saúde as pessoas e animais, temos que buscar de maneira incessante o desenvolvimento sustentável, porém temos que entender que o CO² proveniente da atividade humana não foi, não é e nunca será um fator determinante da regulação do clima da Terra, e nem influencia tal aquecimento.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Geólogos descobrem evidências dos dias em que o campo magnético da Terra ficou caótico e se inverteu


Os geólogos Scott Bogue e Jonathan Glen do US Geological Survey acabam de desenterrar novas evidências sobre ocorrências mudanças super-rápidas de polaridade magnética da Terra.
Logo ao norte de uma parada de caminhões ao longo da Interstate 80 em Battle Mountain, Nevada, os geólogos encontraram evidências de uma época na história da Terra em que seu campo geomagnético enlouqueceu. O que aconteceu afinal?

Fluxos de Lava estudados em Nevada (Sheep Creek Range) fornecem novas evidências de uma inversao geomagnética super-rápida que ocorreu há 15 milhões de anos.
Fluxos de Lava estudados em Nevada (Sheep Creek Range) fornecem novas evidências de uma inversao geomagnética super-rápida que ocorreu há 15 milhões de anos.


O caos magnético há 15 milhões de anos

Minerais magnéticos encontrados em rochas de 15 milhões anos atrás demonstram a história de uma época em que o pólo norte magnético estava em pleno processo de migrar rapidamente para o pólo sul e vice-versa. Os geólogos lembram que semelhante “inversão do campo geomagnético” é um fenômeno normal natural na história da Terra que ocorre de forma imprevisível, em média a cada 200.000 anos. Além disso, o processo em geral leva em torno de 4.000 anos para completar a mudança. Paradoxalmente, as rochas de Nevada que foram recentemente analisadas sugerem que esta mudança de 15 milhões de anos atrás, em particular, ocorreu a um ritmo extraordinariamente rápido.

Gráfico que mostra as inversões de polaridade da Terra a o longo dos últimos 160 milhões de anos. Negro = polaridade normal, branco = polaridade invertida. Fonte: Lowrie (1997)
Gráfico que mostra as inversões de polaridade da Terra a o longo dos últimos 160 milhões de anos. Negro = polaridade normal, branco = polaridade invertida. Fonte: Lowrie (1997)

Tal ocorreu em tamanha velocidade como se você observasse uma bússola cujo norte variasse sua posição cerca de um grau por semana, uma variação tão rápida que pode ser considerada como ‘instantânea’ na escala de tempo geológico.
Na verdade este é o segundo relatório científco sobre mudanças relativamente rápidas na direção geomagnética. O primeiro, publicado em 1995 na Nature, “New evidence for extraordinarily rapid change of the geomagnetic field during a reversal” tomou como base as rochas em Steens Mountain, Oregon, mas nunca alcançou ampla aceitação na comunidade de paleomagnetismo. Agora, um segundo exemplo, permitirá reforçar a teoria de que as inversões podem acontecer bem mais rapidamente do que as teorias correntes apontam, no decorrer de anos ou séculos, em vez de milênios.
“Nós estamos tentando fazer que neste caso, o trabalho [novo] se torne outro registro de uma mudança geomagnética super-rápida”, disse o autor Scott Bogue, um geólogo no Occidental College em Los Angeles.
Os pesquisadores não têm certeza das razões porque o campo geomagnético ser inverte. Muitos pensam que deve se relacionar com o que origina o campo magnético terrestre, os movimentos de convecção no núcleo giratório externo do ferro líquido em nosso planeta.

O movimento do pólo norte magnétido terrestre através do ártico no Canadá, de 1831 a 2001 (Geological Survey of Canada)
O movimento do pólo norte magnétido terrestre através do ártico no Canadá, de 1831 a 2001 (Geological Survey of Canada)

Novas evidências em Nevada

Bogue e seu colega Jonathan Glen do U. S. Geological Survey em Menlo Park, Califórnia foram a Nevada (Sheep Creek Range) para estudar uma série de fluxos de lava em bom estado de preservação. Os fluxos de lava trazem informações importantes aos geólogos, pois, quando cada fluxo esfria, este mantém a orientação do campo magnético da época da história da Terra congelada, como uma pequena agulha de uma bússola magnética encravada nos cristais da rocha. Em outras palavras, os fluxos de lava conservam a assinatura da direção do campo magnético terrestre ao longo do tempo.
Um fluxo em particular do sítio geológico de Nevada chamou a atenção dos cientistas porque parece estar relacionado a uma complexa história de mudanças geomagnéticas. Este caminho de lava, disse Bogue, inicialmente começou a se esfriar e, em seguida, foi reaquecida novamente em um ano conforme um fluxo de lava fresca o sobrepôs. A lava fresca remagnetizou os cristais de rocha abaixo, causando uma reorientação significativa de 53 graus. No ritmo em que deve ter arrefecido a lava (uma variação de 53 graus em 1 ano) tal significaria que o campo magnético foi mudando sua direção a aproximadamente 1 grau por a semana, disse Bogue.

O que diz o estudo de 1995?

No estudo anterior publicado em abril de 1995, os cientistas R. S. Coe, M. Prévot e P. Camps relataram na revista Nature que as rochas da montanha Steens trazem evidências de uma mudança de 6 graus por dia. Este valor percentual foi considerado tão alto (imagine tentar navegar com uma bússola que muda vários graus por dia) que na época muitos cientistas se opuseram ao relatório de Coe e sua equipe. Uma linha de raciocínio declarou que o núcleo externo líquido não pode simplesmente suportar mudanças tão rápidas no campo magnético. Outros sustentam que, mesmo se as mudanças tivessem efetivamente ocorrido, não seriam observáveis na superfície, porque a condutividade elétrica interna da Terra deveria ter blindado os sinais.
As rochas de Nevada reforçam a idéia de que tais mudanças poderiam eventualmente estar em andamento agora, disse Bogue, mesmo que os cientistas ainda não possam explicar as razões.

Controvérsias

Nem todos os especialistas estão convencidos da certeza dos cenários apontados neste novo artigo. Dennis Kent, paleomagnetólogo Universidade Rutgers, em Piscataway, Nova Jersey, disse que seria “uma curiosa coincidência” de ter dois breves fluxos de lava recém-esfriados e captar uma mudança na direção de 53 graus, quando as inversões geomagnéticas ocorrem apenas algumas vezes a cada milhão de anos.


As variações no campo geomagnético no oeste dos Estados Unidos desde a última inversão. A linha pontilhada vertical indica o valor crítico de intensidade baixo o qual Guyodo e Valet (1999) consideram que têm tido lugar várias excursões direcionais.
As variações no campo geomagnético no oeste dos Estados Unidos desde a última inversão, há 780.000 anos. A linha pontilhada vertical indica o valor crítico de intensidade baixo o qual Guyodo e Valet (1999) consideram que têm tido lugar várias excursões direcionais.

A última inversão geomagnética estável ocorreu há cerca de 780.000 anos. Alguns geólogos especulam que uma nova inversão dos pólos magnéticos da Terra está atrasada e pode ser que estejamos entrando em uma agora, porque o campo geomagnético tem se tornado cada vez mais fraco nos últimos 150 anos ou mais.
Mas, ao contrário do divulgado nos canais apocalípticos ou pelos filmes-catástrofe da ficção científica, ninguém deve se preocupar em acordar em uma manhã de caos geomagnético, disse Bogue. “Para os geólogos inversão em si da polaridade é algo quase instantâneo que altera uma característica global da Terra, trata-se verdadeiramente de um fenômeno espetacular”, disse ele. “Mas se você estiver vivo quando isso acontecer, provavelmente não vai perceber grandes coisas.”
O artigo científico que descreve esta descoberta será publicado na revista “Geophysical Research Letters” assinado por S. W. Bogue et al. intitulado: “Very rapid geomagnetic field change recorded by the partial remagnetization of a lava flow”.

Fontes

  1. Science News: Geomagnetic field flip-flops in a flash por Alexandra Witze, 25 de setembro de 2010; Vol.178 #7 (página 10)
  2. Physorg.com: Evidence of second fast north-south pole flip found
  3. Nature: New evidence for extraordinarily rapid change of the geomagnetic field during a reversal, R. S. Coe, M. Prévot & P. Camps, Nature 374: 687 doi:10.1038/374687a0

terça-feira, 14 de junho de 2011

Nasa confirma aproximação de asteroide de 400 metros em novembro

A agência espacial americana, NASA, confirmou que um grande asteroide potencialmente perigoso deverá cruzar o espaço entre a Terra e a Lua no início do mês de novembro. Segundo a agência, a aproximação não apresenta risco de colisão com nosso planeta, mas permitirá aos pesquisadores estudarem com mais detalhes a composição do objeto.
http://www.apolo11.com/imagens/2011/asteroide_2005yu55.jpg
imagem do asteroide 2005 YU55 feita pelo radiotelescópio de Arecibo em 19 de abril de 2011, quando o objeto estaca a 2.3 milhões de quilômetros de distância. Na sequência, animação da aproximação do asteroide no dia 8 de novembro de 2011. Crédito: Nasa/SSD/Arecibo Observatory/Michael Nolan/JPL-Caltech/Apolo11.com.
Batizada 2005 YU55, a rocha tem cerca de 400 metros de comprimento e foi descoberta no ano de 2005 pelo programa Spacewatch, da Universidade do Arizona. No momento, o asteroide está localizado a 183 milhões de quilômetros da Terra e quando atingir a máxima aproximação deverá chegar a menos de 325 mil quilômetros, distância inferior aos 384 mil quilômetros que separam a Terra da Lua.
No entender da cientista Barbara Wilson, ligada ao Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, JPL, não é incomum que asteroides passem perto da Terra, alguns até mais próximos ainda. O que diferencia 2005 YU55 dos demais é seu tamanho. “Nas outras ocasiões em que grandes asteroides passaram tão perto não tínhamos tecnologia e conhecimento para tirar algum proveito do evento. Agora, com mais recursos, a aproximação será uma grande oportunidade para que os instrumentos em terra possam acompanhar e coletar grandes quantidades de dados”, disse Wilson.
Quando
Segundo os últimos cálculos publicados pelo laboratório de Dinâmica do Sistema Solar da Nasa, SSD, 2005 YU55 deverá atingir o ponto de maior aproximação da Terra a 325 mil km de distância no dia 8 de novembro de 2011 às 23h28 UTC (20h28 pelo Horário Oficial de Brasília e 21h28 pelo Horário de Verão), cruzando o espaço a 13 km/s. No dia seguinte a rocha se aproxima da Lua e às 07h14 UTC atinge apenas 238 mil km de distância do nosso satélite.

http://www.apolo11.com/imagens/2011/2005_YU55_approach_490.gif
Em 19 de abril de 2011 a rocha foi acompanhada “de perto” pelo radiotelescópio de Arecibo, instalado em Porto Rico. Nesta ocasião os cientistas puderam fazer as primeiras imagens do visitante, quando o asteroide estava a 2.3 milhões de quilômetros de distância. No entanto, devido à resolução de apenas 7.5 metros por pixel, as imagens não apresentam grandes detalhes.
“Quando 2005 YU55 retornar em novembro, esperamos obter imagens de 4 metros por pixel de resolução, que serão feitas com auxílio da antena da Rede do Espaço Profundo (Deep Space Network), instalada na Califórnia”, disse o radioastrônomo Lance Benner, do JPL. “O asteroide estará sete veze mais perto e as imagens de radar deverão fornecer muito mais detalhes”, completou.
Antes dele
Antes da aproximação de novembro, outro asteroide deverá se aproximar bastante da Terra. Trata-se de 2009 BD, uma rocha de 10 metros de comprimento que chegará a apenas 345 mil km de distância no dia 2 de junho. Da mesma forma que 2005 YU55, a aproximação não apresenta risco de colisão, mas a simples presença de asteroides nas vizinhanças da Terra mostra que a localização de rochas potencialmente perigosas deve ser tratada com bastante seriedade pelos governos dos países que detêm melhores tecnologias.
APOLO11
Obrigado ao leitor que me enviou este link via mail. ;)
Não esqueçamos que em Outubro temos o Elenin… pois parece que a NASA está a tentar fazer esquecer esse facto…
Posts Relacionados:
  1. Planeta X pode ter sido detectado por sonda da NASA
  2. NASA: Estranho objecto perto do Telescópio Espacial Hubble
  3. WARNINGS: Consciência, 2012, NASA, Sol, Evolução Espiritual….
  4. NASA divulga descoberta sobre vida extra-terrestre às 19:00
  5. Último relatório Webbot: Início da WW3 entre Novembro e Dezembro 2010 !
2Share

domingo, 29 de maio de 2011

Cem anos depois, sonda da Nasa confirma teoria de Einstein sobre o espaço-tempo

Foto: Nasa
Sonda de gravidade B tinha como objetivo medir a distorção do tempo e do espaço
Quase cem anos depois, uma sonda espacial da Nasa, a agência espacial americana, confirmou previsões cruciais feitas pelo físico alemão Albert Einstein em 1915.
As observações da sonda de gravidade B (GP-B) comprovaram que a massa da Terra está muito sutilmente causando uma curvatura no tempo e no espaço ao seu redor, e até arrastando-os consigo.
Os cientistas conseguiram observar esses efeitos através do estudo do comportamento de quatro esferas super-precisas levadas dentro do satélite.
Os resultados foram publicados na revista científica Physical Review Letters.
Einstein
As confirmações das previsões de Einstein são significativas não apenas por comprovar uma vez mais a genialidade do cientista alemão, mas também por trazer instrumentos mais refinados para a compreensão da física que rege o cosmos.
As descobertas também representam o ápice de uma longa jornada para os líderes da missão, alguns dos quais dedicaram mais de cinco décadas à pesquisa.
Entre eles está Francis Everitt, o principal pesquisador da missão na Universidade de Stanford, que participou da concepção da sonda de gravidade B no fim dos anos 50.
"Completamos este experimento histórico, testando o Universo de Einstein - e Einstein sobrevive", disse ele.
A GP-B só foi lançada ao espaço em 2004 e desde então a missão da equipe é interpretar as informações e checar a correção das observações feitas.
Teorias confirmadas
O objetivo da sonda de gravidade B era confirmar duas importantes consequências da Teoria da Relatividade Geral, publicada por Einstein em 1915.
Foto: Katherine Stephenson, Stanford University e Lockheed Martin Corporation
A GP-B foi lançada ao espaço em 2004
As previsões descrevem a forma como o tempo e o espaço são distorcidos pela presença de enormes objetos como planetas e estrelas.
Uma delas é o efeito geodético - que trata da forma como a Terra curva o espaço-tempo - e a outra, o efeito de arrasto - sobre como a rotação da Terra distorce o espaço-tempo ao seu redor ao girar.
A sonda GP-B verificou ambos os efeitos medindo movimentos mínimos nos eixos de rotação de quatro giroscópios em relação à posição de uma estrela chamada IM Pegasi (HR 8703).
Precisão
Para garantir a precisão do experimento, as esferas tinham de ser resfriadas até quase o "zero absoluto" (-273ºC) e então colocadas para flutuar dentro de um recipiente a vácuo gigante, contendo hélio superfluido. Esta e outras medidas isolavam as esferas de qualquer distúrbio externo.
Se Einstein estivesse errado, os giroscópios deveriam ter girado sem a influência de forças externas (pressão, calor, campo magnético, gravidade e carga elétrica).
Mas como o físico alemão concluiu que o espaço-tempo ao redor da Terra é curvo e distorcido pelo movimento do planeta, os cientistas esperavam um desvio, apesar das grandes dificuldades em medi-lo.
Ao longo de um ano, o desvio previsto no eixo das esferas devido ao efeito geodético foi calculado na escala de apenas alguns milhares de miliarcosegundos. O efeito de arrasto deverá ser ainda menor.
"Um miliarcosegundo representa a largura de um fio de cabelo humano visto a uma distância de 16 quilômetros. É um ângulo extremamente pequeno e este é o grau de precisão que a sonda de gravidade B tinha de alcançar", explicou Everitt.
Tecnologia
A missão foi proposta inicialmente em 1959, mas teve de esperar vários anos para que a tecnologia necessária fosse inventada.
"A GP-B, apesar de simples conceitualmente, é um experimento extremamente complexo tecnologicamente", disse um ex-gerente de programas na GP-B, Rex Geveden.
"A ideia surgiu cerca de três ou quatro décadas antes que a tecnologia estivesse disponível para testes. Treze novas tecnologias foram criadas para a GP-B."
As inovações criadas para a missão levaram diretamente à melhoria do Global Positioning System (GPS) e ao sucesso de outras missões espaciais da Nasa.