A palavra Deus, para mim, é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana; a Bíblia, uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis.

— Albert Einstein
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domingo, 27 de novembro de 2011

Jornalistas x Ciência: A arte de desinformar

O Brasil tem um problema sério com seu jornalismo. Eles deveriam ser um veículo de informação, mas agem no sentido inverso. Quando o STF derrubou a obrigatoriedade do diploma de jornalista, muitos chiaram. Não sei porque. Por que precisamos de jornalistas? Para darem uma informação, uma notícia? Qualquer um pode fazer isso. Um belo exemplo do “qualquer um pode fazer isso” é a costumeira publicação de besteiras que as revistas Veja e Isto É proporcionam. É lamentável que tais veículos tidos como “de informação” consigam transmitir, não só pouco conhecimento, como divulgar bobagens e incorreções, como foi o caso onde a Isto É divulgou um avanço da ciência onde pesquisadores “criaram” uma proteína humana em uma simulação das condições climáticas de Titã, a maior dos satélites naturais de Saturno. Peguem refrigerante e pipoca, pois vamos mostrar um verdadeiro festival de idiotices.
Tudo começa com uma manchete. O que seria dos jornais sem as manchetes? Principalmente, sem os exageros inerentes? Acho que ninguém leria (se bem que a maioria só lê o título mesmo). Assim, a pseudo-reportagem da Isto É começa de modo bombástico: Os domadores de Titã. Algo que parece ter saído direto da mitologia grega, como os nomes dos corpos celestes envolvidos. Examinando a “notícia”, eu me peguei brincando de Jogo dos Vários Erros. Leiam e vamos ver quantos de vocês são capazes de encontrar.
Leram? Beleza, vamos começar:
Rex, vamos passear?
Cientistas brasileiros criam proteína humana em laboratório que simula as duras e extremas condições ambientais da maior lua de Saturno.
O subtítulo, à guisa de resumo, falam que cientistas brasileiros criaram uma proteína humana (prestem atenção a esta “humana”). Criaram? Do zero? Inventaram uma ou puseram comidinha pra filhotinha e esta cresceu? Será que o certo não seria sintetizaram? Seria. Mas a frase estranha é apenas um subtítulo. Com certeza eles explicarão melhor embaixo. E, em segundo lugar, chamam Titã de “lua”, quando o mais certo seria chamá-lo de satélite natural; se bem que para os leigos, é <b>lua</b> e acabou. Deveríamos dar um desconto nessa? Vocês é que sabem.
Fúria de Titãs
Destaque para o Brasil na edição da semana passada da revista americana “New Scientist”, umas das bíblias da comunidade científica mundial: dois pesquisadores da Unicamp, capitaneando uma equipe de químicos e biólogos, concluíram com sucesso uma experiência inédita e revolucionária no campo da astronomia. Mais: por meio dela agora se impõe com dados científicos a plausibilidade da hipótese de existência de formas elementares de vida onde tal fenômeno parecia inimaginável: na lua Titã, a maior do sistema solar e que orbita o planeta Saturno – sua superfície é de aproximadamente 56.850.000 km² e se distancia da Terra em interminável 1,2 bilhão de quilômetros
Adorei o ufanismo no início da frase. BRASIL-IL-IL! Sinto como se o Galvão Bueno estivesse escrevendo isso, o que explicaria muitas coisas. Em seguida, chamam a New Scientist de “bíblia da comunidade científica”. Sei lá, mas isso não soa correto. A New Scientist – como a Nature e a Science – não é uma “bíblia” ou verdade absoluta. É uma publicação científicaque, apesar de não possuir revisão por pares, é respeitada. Revisão por pares é o tipo de revisão que acontece quando você encaminha um artigo a uma determinada publicação. Outros cientistas examinarão seu texto, verão seus métodos de pesquisa (devidamente descritos tim-tim por tim-tim), e analisaram os resultados tentando encontrar alguma brecha. Se houver, eles devolvem e pedem para esclarecer ou mesmo reescrever certas partes. Eu nunca vi uma publicação que não tenha sido rejeitada de início, com solicitação para exame e clarificação de determinados trechos. Mas jornalistas não sabem isso.
A seguir, o jornalista diz que químicos e biólogos “concluíram com sucesso uma experiência inédita e revolucionária no campo da astronomia”. Isso teria a ver com órbitas planetárias? Sim, porque astronomia cuida somente disso: dos corpos celestes. Não confundir com astrobiologia ou astroquímica; mas vamos considerar que tudo isso esteja no cerne da Astronomia, como um todo (serei bonzinho dessa vez). A propósito, não vou nem mencionar a falta de concordância da palavra “interminável” (que por sinal tem fim em 1,2 bilhão de quilômetros).
Respondem pelo experimento os pesquisadores Sérgio Pilling e Diana Andrade, que lograram reproduzir em laboratório o inóspito ambiente de Titã e, a partir daí, nele obter uma das principais proteínas imprescindíveis à vida, a adenina – ela mesma, a letra A das bases que compõem o DNA humano e que dá “leitura” genética somente quando se combina com a proteína timina.
Do jeito que o texto é colocado, parece que reproduziram todo o ecossistema de Titã, o que não foi o caso. O que a equipe de pesquisadores fez foi desenvolver o experimento de Stanley Miller e Harold Urey, que, na década de 1950, desenvolveram o experimento que é considerado um marco histórico nas pesquisas a respeito da origem da vida, a Sopa Orgânica. Ao disparar descargas elétricas sobre uma mistura de hidrogênio, água, amônia e metano, com que procuravam simular condições semelhantes à atmosfera primitiva da Terra, Milley e Urey conseguiram fazer surgir espontaneamente dois aminoácidos indispensáveis à vida: a glicina e a alanina.
Na referida experiência, a equipe usou o Laboratório Nacional de Luz Síncroton, em Campinas, para simular o efeito da radiação solar na faixa dos raios X na atmosfera de Titã. “Durante três dias, bombardeamos uma mistura de nitrogênio, metano (cerca de 5%) e um pouco de água com raios X e ultravioleta, que são radiações eletromagnéticas que estão em toda a parte nos céus. Assim, o que temos é um exemplo da atmosfera de Titã, junto com interações de emissões eletromagnéticas na faixa do ultravioleta e dos raios-X. Isso é muito pouco para chamar de “condições climáticas”.
Agora vem o verdadeiro genocídio científico, começando por chamar a adenina de proteína. Proteínas são macromoléculas, ou seja, polímeros. Polímeros são moléculas de grande massa molecular, estabelecendo ligações com diversas unidades iguais (monômeros), de modo quase infinito. Proteínas são formadas por aminoácidos, através de ligações peptídicas. Para saber mais sobre proteínas, acesse AQUI. A adenina é uma base nitrogenada da classe das purinas. Na imagem ao lado, podemos ver uma representação da sua fórmula estrutural em duas dimensões, onde notamos que é tão somente um composto heterocíclico nitrogenado, e não um polímero. O pior é que dizem que a adenina é uma proteína HUMANA! Pelas calcinhas de Hera, quer dizer que somente existe adenina nos seres humanos? Provável, porque os irresponsáveis que escreveram isso ainda continuaram no estupro científico alegando que a adenina é a letra A do DNA. Argh! Isso fará o leigo perguntar: “O que são as letras D e N?”. Quando falam isso parece que só seres humanos possuem DNA.
Resumidamente (e MUITO resumidamente), o DNA é um encadeamento de diversos nucleotídeos. Cada nucleotídeo é formado por diversas bases nitrogenadas (leia mais AQUI). Essas bases nitrogenadas são: Adenina, Guanina, Citosina e Timina (ou A, G, C e T). A Adenina e a Guanina são purinas, enquanto que a Citosina e a Timina são pirimidinas. Quando se dá a hélice dupla, os compostos de uma das “fitas”, que seriam a sequência de bases, estabelecem ligações de hidrogênio, que errôneamente chamam de Ponte de Hidrogênio. As ligações de hidrogênio são interações fracas, o que explica a sua grande importância em sistemas bioquímicos e mesmo na química. Elas são extremamente importantes por serem responsáveis pela ligação de cadeias peptídicas em proteínas e por ligarem pares de bases nas gigantescas moléculas contendo ácidos nucléicos, que é o que estamos discutindo aqui.
Purinas estabelecem pontes de hidrogênio com timinas, mas não com outras purinas; no caso da adenina, ela somente estabelecerá este tipo de ligação com a timina, enquanto que a guanina estabelecerá ligações de hidrogênio com a citosina. Dizer que a adenina se “combina” com a timina é uma ATROCIDADE, algo que faz um químico colocar as mãos entre as pernas e dizer “UUUUUUUFFFFFFFFFF”. Combinação infere em uma reação química. Se existe reação química (ou, como alguns idiotas nos colégios estão chamando: transformação química), então haverá a produção de novos componentes. Não há. Adenina continuará sendo adenina, timina continuará sendo timina e jornalista da Isto É continuará sendo imbecil.
O jornalismo científico brasileiro é um lixo! Publica-se qualquer besteira sem o menor critério, sem a menor responsabilidade. Um outro exemplo que ilustra isso foi postado pelo Carlos Hotta do Brontossauros no meu Jardim, onde ele mostra a indignação que todos nós, cientistas e amantes do conhecimento, temos quando vemos estas arbitrariedades. Em sua postagem Revista Veja #FAIL ao quadrado!, ele mostra a irresponsabilidade da Veja (curiosamente, da mesma editora que publica a Isto É) ao não ficar só informando errado, mas se sentindo no arrogante direito a não informar direito, soltando a seguinte pérola:
(…) Por não ser uma revista científica, VEJA pode sim representar os genes como bolinhas. Cometeríamos erro se tivéssemos trocado os genes pelo DNA ou coisas do gênero. As imagens publicadas foram obtidas em bancos de imagens e estão identificadas da mesma forma como aparecem em VEJA.
Aqui vemos o total compromisso da Veja Multiuso (extensivo à Isto É) em apenas o lucro, e não informar. Não se sentem na obrigação de informar direito, então qual obrigação os prende em publicar outras notícias com acurácia e seriedade? É uma vergonha que isso exista nesse país, pois, ao meu ver, deveriam responder processo por alienação cultural. Realmente, são revistas independentes. Elas não dependem de veracidade em suas redações para fazer sucesso. Dependem de uma população de pseudoleitores.
Para você, que quer saber exatamente o que a New Scientist trouxe, e que os vendedores de jornal ignoraram, o link é ESTE, e quando alguém o olhar com superioridade, citando a Veja ou Isto É, como fonte de informação, pode rir à vontade que eu deixo.

Andre:ceticismo.net

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Cientistas temem que pesquisas médicas criem macacos falantes


Relatório da Academia de Ciências Médicas britânica alerta para anomalias decorrentes do abuso no transplante de células humanas em animais


A Academia de Ciências Médicas da Grã-Bretanha está pedindo ao governo que estipule regras mais estritas paras as pesquisas médicas envolvendo animais. O grupo teme que experimentos envolvendo transplante de células acabem criando anomalias, como macacos com a capacidade de pensar e falar como os humanos.
O alerta ressalta o debate da questão dos limites da pesquisa científica. Um dos autores do relatório, o professor Christopher Shaw, do King's College de Londres, diz que tais estudos "são extraordinariamente importantes".
A academia ressalta ainda que não é contrária a experimentos que envolvam, por exemplo, o implante de células e tecidos humanos em animais.
Estudos atuais, por exemplo, transplantam células cancerígenas em ratos a fim de testar novas drogas contra o avanço da doença.
A academia defende, no entanto, que com o avanço das técnicas estão surgindo novos temas que precisam ser urgentemente regulados.
Avanço

Os avanços científicos atuais já permitem a criação de ratos com lesões similares às causadas por um derrame cerebral, para que sejam depois injetadas células tronco humanas, a fim de corrigir os danos.
Outro estudo com implante de um cromossomo humano no genoma de ratos com síndrome de Down também foi essencial para a compreensão da doença.
Apesar de a maioria dos experimentos ser feita com ratos, os cientistas estão particularmente preocupados com os testes em macacos.
Na Grã-Bretanha são proibidas as investigações com macacos de grande porte como gorilas, chipanzés e orangotango. Em outros países, como os Estados Unidos, são liberadas.
"O que tememos é que se comece a introduzir um grande número de células cerebrais humanas no cérebro de primatas e que isso, de repente, faça com os que os primatas adquiram algumas das capacidades que se consideram exclusivamente humanas, como a linguagem", diz o professor Thomas Baldwin, outro membro da academia.
"Estas são possibilidades muito exploradas na ficção, mas precisamos começar a pensar nelas", diz.
Áreas 'delicadas'
O relatório indica três áreas particulamente "delicadas" na pesquisa com animais: a cognitiva, a de reprodução e a criação de características visuais que se percebam como humanas.
"Uma questão fundamental é se o fato de povoar o cérebro de um animal com células humanas pode resultar em um animal com capacidade cognitiva humana, a consciência, por exemplo", diz o relatório.
O professor Martin Bobrow, principal autor do relatório, sugere o que chama de "prova do grande símio": se um macaco que recebeu material genético humano começa a adquirir capacidades similares a de um chimpanzé, é hora de frear os experimentos.
Na área de reprodução, recomenda-se que embriões animais produzidos a partir de óvulos ou esperma humano não se desenvolvam além de um período de 14 dias.
O campo mais polêmico é o de animais com características "singularmente humanas", os experimentos que o relatório chama de "tipo Frankestein, com animais humanizados".
Segundo o relatório, "criar características como a linguagem ou a aparência humana nos amimais, como forma facial ou a textura da pele, levanta questões éticas muito fortes". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.


Especialistas acreditam que babuínos são capazes de estabelecer analogias.

 

Teoria desmente a hipótese segundo a qual apenas os seres humanos seriam capazes desse tipo de raciocínio

  PARIS - Uma equipe de especialistas afirmou acreditar que os macacos babuínos são capazes de estabelecer analogias apesar de não possuírem uma linguagem, de modo que podem relacionar dois contextos diferentes, mas simbolicamente parecidos, informou o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França.
Esta nova teoria desmente a hipótese segundo a qual "apenas os seres humanos e os grandes primatas - aos quais se tenha ensinado previamente uma linguagem - são capazes de raciocinar dessa maneira".
Os babuínos, pequenos macacos originários da África, seriam capazes de estabelecer uma relação entre uma gata que alimenta seu filhote e um pássaro que faz o mesmo com suas crias, segundo os autores do estudo, realizado em colaboração com a Universidade Franklin & Marshall dos Estados Unidos.
No entanto, esta teoria surge a partir de um experimento menos complexo, no qual os pesquisadores incitaram 30 destes primatas a observar formas geométricas em uma tela táctil e a pressionar sobre as duplas pictóricas que representassem a mesma relação.
Após milhares de testes, seis primatas conseguiram responder corretamente ao exercício, "demonstrando assim uma capacidade para resolver esse tipo de problemas", afirmaram os autores da pesquisa, publicada pela revista Psycological Science.
Os cientistas destacaram, além disso, que após suspender a pesquisa um ano, os macacos voltaram a aprender as palavras de ordem mais rapidamente que da primeira vez, o que indica que "se lembravam da situação" anterior.
Os pesquisadores declararam que encontrar essa competência psicológica nos macacos de menor tamanho se explica geneticamente pelo fato de poder ajudá-los a transferir conhecimentos.

sábado, 6 de agosto de 2011

Lendas.



Era uma vez um deus muito poderoso que resolveu criar um universo.
Fez o trabalho em 6 dias e foi descansar.

(deuses se cansam?)
Da lama deus fez um ser especial, parecido com ele: Adão.
(logo, deus tem braços e pernas, certo?)
E da costela de Adão, fez Eva.
(curioso, faz o universo do nada mas para fazer Eva precisou arrancar
uma costela do pobre Adão..)

A eles deu um paraíso onde tudo podiam, menos comer uma certa fruta.
Podiam comer qualquer outra a não ser aquela.

(porque será?!?)
Se fosse desobedecido eles perderiam o paraíso.
(mas...um ser onisciente já sabe tudo que vai acontecer, porque faria isso?!)
Tudo ia bem até que uma cobra convence Eva a experimentar a tal fruta.
(cobra que fala... eu entendi direito??)
Deus não perdoou e lá se foram eles para a Terra, onde a vida era dura.
(e o Paraíso, ficou para a cobra?)
E foram avisados: eles e todos os seus descendentes seriam considerados pecadores até que deus enviasse seu filho para salva-los.
(hã?? Bebes nascendo pecadores porque Eva comeu uma fruta que não podia??)
Tiveram filhos – Caim e Abel - que cresceram e se casaram.
(mas com quem?? Adão e Eva eram o 1º e único casal da Terra, de onde vieram suas noras?)
Os irmãos brigaram, Caim matou Abel.
(o cara mata o irmão e fica tudo por isso mesmo?)
Caim teve filhos que tiveram filhos... até chegar em mim e em você mas durante os primeiros 4 mil anos todos que nasceram morreram pecadores e foram para o inferno já que o filho de deus não apareceu para salva-los.
(faz algum sentido isso?)
Deus, um pouco entediado, aproveitou esse tempo para esconder ossos de dinossauros pela terra, envelhecer o petróleo e as rochas, criar animais do nada, essas coisas.
(“ainda vou rir muito dos geólogos”, ele deve ter pensado)
Até que seu filho, Jesus, finalmente resolveu aparecer e foi uma festa: estrela indicando o caminho, reizinhos trazendo presentes, mãe virgem, anjos trazendo recados.
(porque será que essas coisas não acontecem mais..?)
Ao nascer, foi tratado como celebridade mas depois, curiosamente, cresceu sem que ninguém mais se lembrasse que ele era filho de deus.
(o povo já tinha memória curta naquela época)
Mas Jesus tinha um plano perfeito para salvar a humanidade.
(salvar do que mesmo..? ah, por Eva ter ouvido a cobra falante e comido a fruta..)
O plano era pregar idéias revolucionárias, deixar-se prender, ser espancado, torturado e assassinado em uma cruz.
(grande idéia! Mas será que liderar uma rebelião contra os opressores de seu povo e liberta-los não faria mais sentido?)
Quando agonizava na cruz reclamou com o pai por te-lo abandonado.
(mas... esse não era o plano?)
Como o corpo sumiu (?!) seus seguidores resolveram fundar uma religião. A única certa, com o único deus que existe de verdade, ao contrário de todas as outras.Quem quisesse segui-la deveria adorar e temer Jesus cegamente por toda a vida.
(teme-lo? mas porque??)
Além de, claro, dar a eles 10% de tudo que você ganhar.
(..estou começando a entender...)
Deus não deve ter gostado muito da atuação do filho pois apagou todo e qualquer registro real de sua passagem pela Terra.
(salvo sudários, pedacinhos da cruz e cálices perdidos)
Mas a coisa deu certo, virou uma igreja poderosa que hoje afirma que esta fábula implausível, impossível, sem sentido algum, sem pé nem cabeça nem eira nem beira... é a verdade absoluta. E tudo que a ciência estuda, testa, prova e comprova, bem, para eles tudo isso é balela.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Uma definição e evidências da Teoria da Evolução de Darwin

Mão humana e os ossos da barbatana de uma baleia. Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência
(clique para ampliar)

Introdução

Não sei como pude relegar por tanto tempo um post sobre um dos pilares do ateísmo: a Teoria da Evolução de Charles Darwin, ou Darwinismo. Amplamente combatida pelos adeptos do criacionismo e do “design inteligente” (não tem como escreve isso sem aspas), as evidências desta teoria estão aí para quem quiser ver. Vale lembrar que o termo “teoria”, na ciência, não quer dizer “hipótese” ou “achismo” como alguns querem fazer acreditar. Para o mundo científico, uma teoria é um conjunto de fatos e ideias, ou seja, hipóteses que tenham evidências empíricas que melhor explicam o funcionamento da realidade. Por exemplo, temos a Teoria da Gravitação, que explica como a gravidade funciona.
O mais interessante é que a Teoria da Evolução não diz nada sobre como a vida surgiu, mas sim como ela evoluiu. Ainda assim, os criacionistas decidiram atacar a teoria que não leva “deus” em conta. Eles pregam que seu deus (não foi nenhum deus hindu, ou grego, ou sumério, ou egípcio. Foi o deus judaico-cristão, vale frisar) criou o homem do nada, por força do verbo. Se a Terra já existia ou não, isso não é importante no criacionismo. Apenas o fato de que o homem surgiu a menos de 10.000 anos atrás, de forma a validar as citações bíblicas.
No mundo real, em compensação, cientistas estudaram e teorizaram a respeito de como poderia ter ocorrido o surgimento da vida. Aleksandr I. Oparin, em 1936, sabendo quais elementos estavam presentes no momento de formação da Terra, elaborou o livro "A Origem da Vida". Com base nestas idéias, em 1953, Stanley L. Miller e Harold C. Urey da Universidade de Chicago fizeram uma experiência onde, simulando o ambiente da Terra no seu primórdio, conseguiram obter moléculas orgânicas, componentes básicos dos seres vivos de hoje.
Como se vê, o criacionismo deveria combater a biogênese do ponto de vista científico, não o evolucionismo. Mas em geral, os religiosos são pessoas ignorantes, ingênuas ou simplesmente manipuladores, e decidiram atacar em peso o darwinismo. A frente de ataques dos religiosos que briga contra o evolucionismo é o “Design Inteligente”, que clama por ser uma alternativa científica à Teoria da Evolução. Os adeptos do "Design Inteligente" acreditam que a vida é complexa demais para ser fruto do acaso. É claro que a comunidade de cientistas sérios não se permite aceitar o “design inteligente” como alternativa à Teoria da Evolução, já que o primeiro é apenas uma crença religiosa, não um trabalho científico.
Como é de se esperar, numa pesquisa feita no National Academy of Sciences, 72% dos cientistas NÃO acreditam em deus, e outros 20% são agnósticos, ou seja, apenas 7% acreditam em alguma divindade.
Com tantas evidências a favor, nem as igrejas refutam mais a Teoria da Evolução. A Igreja Anglicana pediu oficialmente perdão a Charles Darwin por ter repudiado, no século 19, sua Teoria da Evolução. O reverendo Malcolm Brown disse que a instituição deve desculpas ao cientista por não entender suas conclusões sobre o processo de seleção natural que move a evolução das espécies. No dia seguinte, um ministro do Vaticano reconheceu que o trabalho de Darwin não é incompatível com a Bíblia, mas descartou um pedido de desculpas póstumo ao cientista lembrando que a Igreja Católica "nunca condenou" o estudo.

O que a Teoria da Evolução NÃO é

Bem, antes de continuar, precisamos saber o que o evolucionismo NÃO é. Assim, já iremos evitar julgamentos equivocados por parte dos teístas que, em geral, não possuem instrução suficiente para falar sobre a teoria.

  • nós NÃO viemos do macaco. Temos um ancestral em comum, é verdade. Mas eles são uma espécie e nós outra;
  • a evolução NÃO prega a inexistência de um deus;
  • evolução em biologia é transformação progressiva, NÃO necessariamente para melhor. No meio científico, esta evolução é um fato. A teoria sobre como ela ocorre, esta sim, é alvo de discordâncias e debates;
  • os cientistas sérios não questionam exatamente a Teoria da Evolução, mas sim como ela ocorre. Na edição de fim de ano da revista Science, compilaram um conjunto de estudos representando os maiores feitos da Ciência em 2005. No foco do holofote, considerada o Avanço do Ano, estava a Teoria da Evolução. Num artigo intitulado Evolução em Ação, os editores revisitaram como as descobertas do ano propiciaram um maior entendimento dos mecanismos pelos quais novas espécies biológicas se originam e como elas abrem caminho para futuros progressos em medicina e saúde pública;
  • a evolução NÃO quer saber como surgiu a vida, muito menos o universo;
  • a evolução biológica NÃO tem nada a ver com termodinâmica. Qualquer tentativa de misturar as duas coisas é mera falácia;
  • a evolução NÃO é o mesmo que seleção natural. Uma espécie pode evoluir e transmutar-se em outra e tanto a original quanto a nova conviverem no mesmo habitat. Apenas quando as condições do habitat sofrerem alguma mudança radical, é que a seleção natural encarregar-se-á de eliminar os menos aptos;
  • a teoria da evolução NÃO é como um dogma bíblico. Como em todas as áreas da ciência, há sempre descobertas, revisões e correções. Isto não quer dizer que ela seja desacreditada por alguns cientistas. É parte de a ciência questionar a própria ciência. A teoria da evolução ainda é a melhor forma para explicar o processo evolutivo;
  • embora já tenham sido encontrados muitos fósseis com "espécies intermediárias", entre um ponto de evolução e outro, talvez não encontraremos todos os intermediários de todas as espécies, já que o processo de fossilização não é algo tão comum de ocorrer, tampouco é fácil achar fósseis. O que NÃO quer dizer que estas espécies intermediárias não possam ter existido;
  • mudanças pequenas e cumulativas, como prega a teoria, levam centenas ou milhares de gerações para ocorrer. Isso significa que nenhum ser humano conseguirá ver uma “mudança evolutiva” na maior parte das espécies. Para ver isso ocorrendo, por exemplo, cientistas cultivam bactérias que produzem milhares de gerações em um curto espaço de tempo. Salvo raras exceções, portanto, apenas em laboratório podemos ver o processo evolutivo em ação.

O que é a Teoria da Evolução

Posto o que a evolução NÃO é, precisamos saber o que ela realmente é, de acordo com o livro “Sobre A Origem das Espécies Através da Seleção Natural” de Charles Darwin. A teoria darwiniana da evolução pode ser resumida em alguns postulados simples:
(1) Os membros de qualquer população biológica em particular irão diferir entre si em pequenas particularidades e terão características ligeiramente diferentes de estrutura e comportamento. Este é o princípio da "variação".
(2) Estas variações podem ser passadas de uma geração para outra, e a prole daqueles que possuem um tipo particular de variação também tenderá a ter aquela mesma variação. Este é o princípio da "hereditariedade".
(3) Algumas destas variações darão ao seu possuidor uma vantagem na vida (ou escapar de alguma desvantagem ), permitindo que o organismo obtenha mais alimentos, fuja de predadores mais eficientemente, etc. Dessa forma, aqueles organismos que possuem uma variação útil tenderão a sobreviver por mais tempo e gerar mais descendentes que os outros membros daquela população. Estes descendentes, através do princípio da hereditariedade, também tenderão a possuir estas variações vantajosas, e isto terá o efeito de aumentar, sobre um número de gerações, a proporção de organismos na população que possui esta variação. Este é o princípio da "seleção natural".

A descoberta do DNA e a validação da Teoria da Evolução

Basicamente, a visão darwiniana tradicional sustenta que pequenas mudanças na estrutura de um ser vivo serão decisivas para sua sobrevivência quando as condições do meio em que vivem se modificar. Com a pressão do ambiente sobre os seres, ocorré uma seleção natural das variações mais bem adaptadas e isso irá produzir, após um longo período de tempo, organismos que diferem tão grandemente de seus ancestrais que eles não são mais o mesmo organismo, e devem ser classificados como uma espécie separada. Esta teoria foi tão bem fundamentada que descobertas posteriores só vieram a confirma-la. A descoberta do mecanismo biológico, o DNA, e as ciências que o estudam (campo das ciências genéticas) nos permitiram entender como a evolução ocorre no nível molecular.
Vamos explicar rapidamente o básico, passo-a-passo, de uma das principais formas pela qual a evolução ocorre de forma que qualquer um possa entender. Primeiramente, precisamos saber como funciona o protagonista desta história: o DNA. Abaixo, vemos algumas células do nosso corpo. Observe que cada uma delas possui um núcleo (neste caso, uma bola vermelha).
Célula
Dentro de cada um destes núcleos, ficam nossos cromossomos. Temos 23 cromossomos. Cada célula do corpo (exceto as do sangue e as reprodutivas) possuem 1 par de cada cromossomo, logo cada célula possui 46 cromossomos. Cada cromossomo possui um longo filamento de DNA dentro de si. O DNA é uma sequencia de nucleotídeos, que são pequeninas moléculas ligadas umas às outras na forma de uma dupla hélice. São elas: Adenina, Citosina, Guanina e Timina (representadas sempre pela letra que inicia seus nomes). Estes nucleotídeos se agrupam aos pares, chamados “pares de bases”.
Para se ter idéia da quantidade de moléculas em cada cromossomo, temos um total de 7 bilhões de nucleotídeos em cada célula (os gametas possuem a metade). O “cromossomo 1” possui, sozinho, 246 milhões de pares de bases. Se pegássemos todas as fileiras de DNA de todos os cromossomos e as esticássemos para formar apenas uma fileira de DNA, todos esses bilhões de nucleotídeos formariam um filamento de quase 2 metros (e lembre-se: tudo isso está “enrolado” dentro do núcleo de uma célula que é microscópica!).
Um trecho do DNA com uma sequência destes pares bases é chamada “gene”.
Os genes dizem como você será. Cor de pele, cor dos olhos, predisposição à doenças, se você será mais alto, mais magro, etc. Durante nossas vidas (inclusive quando estamos nos formando no ventre materno), cada uma das nossas trilhões de células se divide em duas. Como cada célula precisa ter todos os cromossomos em seu núcleo, durante esta divisão ocorre a duplicação de todos os cromossomos (e, logo, a duplicação de todos aqueles bilhões de nucleotídeos). “Como é de se esperar, pequenos erros nesta duplicação podem ocorrer. Mas o corpo só comete um erro a cada 10 bilhões de pares de bases, o que significa menos de um erro para cada três células duplicadas. É um sistema impressionante”, diz Stephen Bell, do Departamento de Biologia do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT).
Células deficientes são eliminadas pelo próprio corpo (embora, algumas resistam podendo acabar causando algumas doenças, como câncer). Mas alguns destes “erros” na duplicação não causam mal algum e se mantém. Ou, nas palavras do Dr. Willy Beçak, geneticista especializado em Genética Humana e Animal:
“Como se sabe, todo material genético pode sofrer mutações espontâneas ou induzidas por fatores ambientais, como acontece com a exposição ao ozônio, aos raios ultravioleta, à fumaça dos ônibus. Quando são deletérias, ou o organismo elimina o produto indesejado, ou é eliminado por ele. A mutação vantajosa, ao contrário, se fixa no DNA. O resultado dessas mutações aditivas produz material genético sujeito à seleção e à evolução.
O mapeamento do genoma nos mostrou que grande quantidade desse material está sujeita continuadamente a mutações. Quando ocorrem nas células somáticas, acabam se expressando seletivamente no organismo; quando ocorrem nas células germinativas, que são os gametas, podem produzir indivíduos distintos, melhores ou piores, não importa.”
Mitose
(divisão celular vista pelo microscópio. No alto da imagem, cromossomos são duplicados. Ao final do processo, metade destes cromossomos são repartidos para a nova célula)
Mutação genética ocorrida no DNA após sua replicação
(durante esta divisão celular, podem ocorrer erros na duplicação do DNA. Alguns destes erros serão corrigidos, mas outros serão inofensivos e se tornarão permanentes, modificando a sequência genômica do portador. É a chamada mutação genética. Vale lembrar que estas alterações são aleatórias e incontroláveis. Nosso corpo não altera o DNA propositadamente, como se tivesse intenção de se aperfeiçoar)

No indivíduo que manifestou estas constantes alterações no DNA, estas modificações podem nunca aparecer. Mas se este ser vivo misturar seus genes com outro durante a procriação, alguns destes “erros” podem tornar-se uma característica do indivíduo que irá nascer (e ela poderá ser boa, ruim ou neutra). É a chamada recombinação genética, quando o código do DNA de seres distintos são misturados durante a reprodução sexuada.
Recombinação genética
(exemplo de um cross-over, ou seja, a modificação de cromossomos nos gametas, que são os espermatozóides e ovócitos. Estas modificações aumentam ainda mais as variações genéticas que serão transmitidas para os descendentes do portador dos gametas)
(e acima, o resultado improvável das cumulativas alterações genéticas ao longo das gerações. Um casal britânico de negros tornaram-se pais de Nmachi, uma loira de olhos azuis. Testes de paternidade confirmaram que ambos são pais da menina. “Este poderia ser um caso numa grande quantidade de misturas genéticas, como em populações afro-caribenhas. Mas na Nigéria, há pouca mistura”, disse o professor Bryan Sykes, diretor de Genética Humana da Universidade de Oxford. E ele conclui “As regras da genética são complexas e ainda não entendemos o que acontece em muitos casos.”)

Através de todos estes processos, ao longo do tempo, teremos uma grande variedade de características em diferentes seres vivos (mesmo aqueles da mesma espécie).
O homem mais alto do mundo posa para foto ao lado do mais baixo. Nos humanos, a altura deixou de ser um vantagem evolutiva, uma vez que eliminamos boa parte das pressões que levariam à seleção natural de indivíduos. Ainda assim, as mutações genéticas ao longo das gerações resultam em indivíduos com características que poderiam melhorar sua condição de sobrevivência em ambientes competitivos.
Michael Phelps não é um excelente nadador apenas graças ao intenso treino. Ele tem o corpo adaptado para os esportes aquáticos. Tem braços excepcionalmente compridos (com envergadura de 2,01 m) para uma altura de 1,93 metros, além de ter pernas curtas e pés com 29,8 cm aproximadamente, equivalente a calçados número 48. Se fôssemos povos que dependessem do nado para sobrevivência, ele seria um ser mais preparado, logo, mais apto a sobreviver e gerar descendentes.

Seleção Natural

Quando as condições em que os seres vivem sofrem alguma mudança, aquela variedade enorme de animais resultantes das incessantes mutações do DNA não conseguirá conviver por muito tempo. Esta seleção dos animais mais bem adaptados às condições do meio foi uma das brilhantes deduções de Charles Darwin e foi chamada de “Seleção Natural”. Esta teoria científica foi confirmada empiricamente após a morte de Darwin e iremos ilustrar como ela se dá.
Seleção Natural: apenas os animais mais bem adaptados sobrevivem
Há muito tempo, através de uma sucessão de mutações e recombinações de DNA, uma espécie antepassada da girafa apareceu na Terra. Adaptadas ao meio-ambiente da época, elas tinham altura suficiente para comer as folhas da árvore e, assim, procriar e gerar inúmeros descendentes.
Através de uma sucessão de mutações e recombinações de DNA, a espécie dominante deu origem a uma variação diferente. Lembram-se do homem mais alto do mundo? Aqui nasceu um exemplar de girafa mais alta que as demais. Como ela também conseguia acesso à comida, ela e as demais procriavam e geravam seus descendentes. Todas convivendo felizes e harmoniosamente.

Eis que acontece algum evento que muda as condições de vida na Terra. Pode ser uma mudança climática, pode ser a separação de continentes, pode ser uma catástrofe de proporções globais, etc. O fato é que o clima muda e, com isso, as formas de vida começam a se adaptar, mudando toda a cadeia alimentar.

No nosso caso, as árvores mais próximas ao chão morrem devido a uma mudança no clima. Aos poucos, apenas as árvores com folhas bem no topo sobrevivem. Lembram-se das variações da girafa que conviviam harmoniosamente juntas? Infelizmente isso não será mais possível. As variações de menor estatura não conseguem alcançar as folhagens que agora estão em árvores muito altas. Mas aquelas girafas que nasceram com pescoços maiores alimentam-se normalmente.

Nossa girafa de pescoço grande sobrevive, pois, consegue se alimentar. Suas parentes menos adaptadas ao novo meio, contudo, não tiveram a mesma sorte e morrem. Sem conseguir viver o suficiente para gerar descendentes, esta variação logo se extinguirá do planeta, sobrevivendo apenas a maior das girafas.

Adaptada às novas condições, a girafa maior se alimenta e se reproduz em maior número. Logo, ela será uma espécie adaptada e dominante no seu meio. Quando as condições mudarem novamente, o ciclo irá se iniciar e novamente apenas as mais bem adaptadas sobreviverão.
É partindo do princípio da seleção natural que podemos deduzir que todas as formas de vida se originaram de um único ser e partilham muito do material genético. E a evidência de que todas as formas de vida estão interligadas está nos genes. Por exemplo, cientistas australianos encontraram provas de relações muito mais estreitas do homem com o solo submarino, em um estudo que revela que as esponjas do mar compartilham quase 70% de genes com os humanos. A decodificação do genoma humano demonstrou que compartilhamos mais de 300 genes com as bactérias, 60 a 70% de genes com as plantas, 99,4% de genes com o chimpanzé e 99,99% de genes entre nós, humanos.
Curiosamente, a teoria nos traz um belo fato que é comum nas religiões: somos todos irmãos! Por isso é importante respeitar todas as formas de vida, viver harmoniosamente e aproveitar esta chance de viver nesta grande família que é o planeta Terra!

Teoria da Evolução versus Design Inteligente (ou criacionismo)

A Teoria da Evolução é uma das principais armas que a ciência e religião usam para se atacar. Este conhecimento científico sobre a evolução dos seres vivos é de suma importância para a agricultura, para a criação de vacinas e remédios eficazes, além de outros campos. Os religiosos, contudo, negam o processo de evolução. Isso mostra uma ignorância ingênua, visto que muitos talvez não saibam que só estão imunizados de várias doenças graças ao estudo da evolução de vírus e bactérias.
Para começar esta teoria é uma das mais bem aceitas dentro da ciência. Até mesmo a Igreja Católica se rendeu às evidências e decidiu aceitar (ou seria reconhecer?) a veracidade da mesma. Apenas vozes dissonantes de alguns cientistas (?) religiosos tentam desqualificar o que Darwin um dia descobriu. Em um post anterior, já expliquei o que é a Teoria de Evolução. Aqui, continuarei a falar um pouco mais sobre ela.
Um dos ataques mais ingênuos é quando a pessoa decide discutir o termo “teoria”. Afinal, alegam, se é apenas uma teoria por que tantos cientistas “creem” nela? Bom, pelo nosso dicionário, realmente a palavra “teoria” é sinônimo de “hipótese, opinião, achismo”. Mas na ciência, teoria é um conceito mais amplo. Na Wikipedia há um excelente trecho dando uma definição simples e objetiva para nossos propósitos:
“Uma definição científica de teoria é a de que ela é uma síntese aceita de um vasto campo de conhecimento, consistindo-se de hipóteses necessariamente falseáveis, mas não por isto erradas, dúbias e tampouco duvidosas, que foram e são permanentemente e devidamente confrontadas com os fatos científicos, fatos estes que integram um conjunto de evidências que, juntamente com as hipóteses, alicerçam o conceito de teoria científica.
A teoria é assim não somente o conjunto de idéias, tampouco somente o conjunto de fatos, mas a união indissociável dos dois conjuntos, o de idéias e o de fatos. A teoria da gravitação universal de Newton é um corpo de ideias que permite ao cientista explicar um conjunto de fatos observacionais relacionados, a exemplo, a queda de uma maçã ou mesmo o movimento da lua ao redor da Terra. Além disso, esta teoria permite fazer predições sobre novas ocorrências, a saber como estes corpos comportar-se-ão com o passar do tempo, ou como outros corpos massivos, a exemplo, um satélite artificial ou uma sonda espacial, mover-se-ão sob a mesma influência causal que determina a ocorrência das observações anteriores conforme foram observadas. Fatos e idéias andam necesariamente juntos em uma teoria científica.”
Desenho artístico mostrando a complexidade do "motor" do flagelo de uma bactériaLogo, achar que “teoria” de evolução é apenas uma das “hipóteses” para como a vida evoluiu é um erro oriundo do desconhecimento do uso do termo. Alguns ataques, contudo, tem uma roupagem mais científica. Michael J. Behe, professor de bioquímica em Lehigh University disse certa vez que o flagelo de certas bactérias, como o da E. coli, que permite que elas se locomovam, é uma estrutura complexa demais a ponto de ser improvável que tenha evoluído gradativamente. A intrincada combinação de proteínas que formam este motor funciona apenas se todas as “peças” estiverem presentes e no seu devido lugar. Remova apenas um elemento qualquer e o flagelo perde sua funcionalidade. O próprio Darwin já admitia:
"Se se pudesse demonstrar a existência de algum órgão complexo que não pudesse de maneira alguma ser formado através de modificações ligeiras, sucessivas e numerosas, minha teoria ruiria inteiramente por terra" (Darwin, C. R., Origem das Espécies, p.161).
Behe chamava isto de “complexidade irredutível”. Ele clama que algum tipo de “agente inteligente” teria que ter projetado aquela estrutura. Esta sua teoria foi repetidamente rejeitada pela comunidade científica[3][4][5], além do fato de que sua própria universidade emitiu uma nota oficial condenando a visão de design inteligente de Behe.[6][7].
Abaixo, temos a Escherichia coli (bactéria E. coli) vista sob o microscópio eletrônico. Observe os flagelos que elas possuem em uma de suas extremidades. O flagelo apareceu na bactéria e promove sua locomoção, habilidade que aumentou suas chances de sobrevivência e reprodução.
Escherichia coli (bactéria E. coli) vista sob o microscópio eletrônico
Abaixo, temos uma visão da base deste flagelo no microscópio eletrônico, bem como a descrição de alguma de suas partes. Realmente, como muitas outras formas de vida, este pequeno mecanismo é de uma complexidade desconcertante.
Flagelo de uma bactéria sob o microscópia eletrônico e a respectiva descrição de suas partes
No final de 2005, um grupo de pais na cidade de Dover, EUA, entrou na justiça quando soube que a escola local queria ensinar o conceito de design inteligente nas aulas de ciência. No tribunal, Behe foi um dos defensores do ensino do design inteligente como sendo uma teoria científica alternativa à da evolução. Felizmente, havia no tribunal um grande cientista contrário a Behe e seu criacionismo: Kenneth Raymond Miller, um cristão devoto. Behe dizia que não havia uma estrutura semelhante ao flagelo que permite uma bactéria se locomover. Mas Kenneth apresentou estudos que mostravam que há muito tempo já se conheciam diversos flagelos para variados fins em outras bactérias.
Como no caso da bactéria Yersinia pestis, responsável pela transmissão da peste bubônica. O flagelo dessa bactéria não roda, portanto não é usado como motor. Porém é usado como agulha para infectar o hospedeiro. Na estrutura do Y. pestis, apesar de extremamente similar, faltam muitas proteínas que estão presentes no flagelo E. coli, porém ainda assim ela é plenamente funcional. Segundo estudos, fica claro que a o flagelo que permite a locomoção de bactérias é apenas uma das facetas da evolução destas estruturas nestes microrganismos. Abaixo, podemos ver a complexidade do flagelo da Y. pestis e outras bactérias gram-negativas num artigo da Nature que explora a evolução destas estruturas.
Tipos de secretores de bactérias gram-negativas
Com estas e outras provas científicas apresentadas ao longo do julgamento, uma vez mais, o conceito de design inteligente estava refutado científica e legalmente. No final do julgamento em Dover, o juiz proibiu qualquer menção ou ensino de teorias oriundas do conceito de design inteligente nas escolas de aula baseando-se na laicidade prevista pela Constituição dos EUA. O juiz passou a sofrer ameaças de morte, bem como os moradores de Dover que lutaram pela proibição.
Infelizmente, este é o cenário resultando do conflito com religiosos. Ao invés de estudarem e trazerem críticas científicas ou novas teorias, alguns radicais partem para a simples e pura ameaça. “Mexa com minha fé e morra”, é o que pregam. Estes esquentadinhos deveriam se contentar em ensinar o que quiserem, mas dentro de suas casas e congregações religiosas. Não há espaço para misticismo na ciência. A Teoria da Evolução segue sendo o principal conjunto de conhecimentos que explicam a diversidade da vida na Terra. E os cientistas e estudiosos não “creem” na tal teoria. Não há “crença” dentro da ciência. Ela é apenas a melhor explicação. Ponto final.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A Origem da Vida

 

Lixo gera moscas?

Uma ideia bastante antiga, dos tempos de Aristóteles, é a de que seres vivos podem surgir por geração espontânea. Apesar de se conhecer o papel da reprodução, admitia-se que certos organismos vivos pudessem surgir espontaneamente da matéria bruta. Observações do cotidiano mostravam, por exemplo, que larvas de moscas apareciam no meio do lixo e que poças de lama podiam exibir pequenos animais. A conclusão a que se chegava era a de que o lixo e a lama haviam gerado diretamente os organismos.
Reconhecia-se, no entanto, que nem toda meteria bruta podia gerar vida. Assim, de um pedaço de ferro ou de pedra não surgia vida; mas um pedaço de carne, uma porção de lama ou uma poça d’água eram capazes de gerar vida. Explicava-se esta diferença entre diversos materiais brutos alegando-se a necessidade de um “princípio ativo” que não estaria presente em qualquer matéria bruta, mas cuja presença seria necessária para haver geração espontânea. O princípio ativo não era considerado algo concreto, mas uma capacidade ou potencialidade de gerar vida.
As ideias sobre geração espontânea perduraram por um tempo muito longo, apesar de sua forma original ter evoluído aos poucos; ainda nos meados do século passado, havia numerosos partidários dessa teoria, definitivamente destruída pelos trabalhos de Pasteur.
Para um partidário da geração espontânea, explicar a origem da vida não apresentava nenhuma dificuldade; de fato, se aceitarmos que a vida surge normalmente da matéria bruta, não será difícil acreditar que o primeiro ser vivo também tenha se originado pelo mesmo processo.
Vamos tentar descrever nos próximos itens alguns marcos na evolução das ideias sobre geração espontânea.

Redi, Needham e Spallanzani

Uma experiência realizada por Francesco Redi, em meados do século XVII, representa a primeira tentativa séria de derrubar-se a noção de geração espontânea. Redi coloca pedaços de carne em dois grupos de frascos; um dos grupos permanece aberto, enquanto o outro é recoberto por um pedaço de gaze. Sobre a carne dos frascos abertos, após alguns dias, surgem larvas de moscas; nos frascos cobertos não aparecem larvas. Redi concluiu que a carne não gera as larvas; moscas adultas devem ter sido atraídas pelo cheiro de material em decomposição e desovaram sobre a carne. As larvas nasceram, portanto, dos ovos postos pelas moscas. Essa ideia é ainda reforçada pela observação dos frascos cobertos: sobre a gaze, do lado externo do frasco, algumas larvas apareceram. À ideia de que os seres vivos se originam sempre de seres vivos chamamos biogênese, sendo abiogênese sinônimo de geração espontânea.
Apesar da repercussão das experiências de Redi, a ideia de geração espontânea ainda não havia morrido. Ironicamente, foram o uso crescente do microscópio e a descoberta dos micro-organismos os fatores que reforçaram a teoria da abiogênese: tais seres pequeninos, argumentava-se, eram tão simples, que não era concebível terem a capacidade de reprodução; como conclusão óbvia, só podiam ser formados por geração espontânea.
Um religioso chamado John Needham fez em 1745 um experimento cujos resultados pareciam comprovar as ideias da abiogênese. Vários caldos nutritivos, como sucos de frutas e extrato de galinha, foram colocados em tubos de ensaio, aquecidos durante um certo tempo e em seguida selados. A intenção de Needham, ao aquecer, ora obviamente a de provocar a morte de organismos possivelmente existentes nos caldos; o fechamento dos frascos destinava-se a impedir a contaminação por micróbios externos. Apesar disso, os tubos de ensaio, passados alguns dias, estavam turvos e cheios de micro-organismos, o que parecia demonstrar a verdade da geração espontânea.
Cerca de 25 anos depois, o italiano Lazaro Spallanzani repetiu as experiências de Needham. A diferença no seu procedimento foi a de ferver os líquidos durante uma hora, não se limitando a aquecê-los; em seguida os tubos foram fechados hermeticamente. Líquidos assim tratados mantiveram-se estéreis, isto é, sem vida, indefinidamente. Desta forma, Spallanzani demonstrava que os resultados de Needham não comprovavam a geração espontânea: pelo fato de aquecer por pouco tempo, Needham não havia destruído todos os micróbios existentes, dando-lhes a oportunidade de proliferar novamente.
Needham, porém, responde às críticas de Spallanzani com argumentos aparentemente muito fortes:
“…Spallanzani… selou hermeticamente dezenove frascos que continham diversas substâncias vegetais e ferveu-os, fechados, por uma hora. Mas, pelo método de tratamento pelo qual ele torturou suas dezenove infusões vegetais, fica claro que enfraqueceu muito ou até destruiu a força vegetativa das substâncias em infusão…”
Repare no termo “força vegetativa”, que era usado como sinônimo de princípio ativo. O aquecimento excessivo, segundo Needham, havia destruído o princípio ativo; sem princípio ativo, nada de geração espontânea! É interessante notar que o próprio Spallanzani não soube refutar esses argumentos, ficando as ideias da abiogênese consolidadas.

Os trabalhos de Pasteur

O cientista francês Louis Pasteur conseguiu, por volta de 1860, mostrar definitivamente a falsidade das ideias sobre geração espontânea da vida. Seus experimentos foram bem semelhantes aos de Spallanzani, porém com alguns aperfeiçoamentos. Vejamos como Pasteur descreve suas experiências.
“Coloquei em frascos de vidro os seguintes líquidos, todos facilmente alteráveis, em contato com o ar comum: suspensão de lêvedo de cerveja em água, suspensão de lêvedo de cerveja em água e açúcar, urina, suco de beterraba, água de pimenta. Aqueci e puxei o gargalo do frasco de maneira a dar-lhe curvatura; deixei o líquido ferver durante vários minutos até que os vapores saíssem livremente pela estreita abertura superior do gargalo, sem tomar nenhuma outra precaução. Em seguida, deixei o frasco esfriar. É uma coisa notável, capaz de assombrar qualquer pessoa acostumada com a delicadeza das experiências relacionadas à assim chamada geração espontânea, o fato de o líquido em tal frasco permanecer imutável indefinidamente… Parecia que o ar comum, entrando com força durante os primeiros momentos (do resfriamento), deveria penetrar no frasco num estado de completa impureza. Isto é verdade, mas ele encontra um líquido numa temperatura ainda próxima do ponto de ebulição.
A entrada do ar ocorre, então, mais vagarosamente e, quando o líquido se resfriou suficientemente, a ponto de não mais ser capaz de tirar a vitalidade dos germes, a entrada do ar será suficientemente lenta, de maneira a deixar nas curvas úmidas do pescoço toda a poeira (e germes) capaz de agir nas infusões…
Depois de um ou vários meses no incubador, o pescoço do frasco foi removido por golpe dado de tal modo que nada, a não ser as ferramentas, o tocasse, e depois de 24, 36 ou 48 horas, bolores se tornavam visíveis, exatamente como no frasco aberto ou como se o frasco tivesse sido inoculado com poeira do ar.”
Com esta experiência engenhosa, Pasteur também demonstrava que o líquido não havia perdido pela fervura suas propriedades de abrigar vida, como argumentaram alguns de seus opositores. Além disso, não se podia alegar a ausência do ar, uma vez que este entrava e saía livremente (apenas estava sendo filtrado).
Os trabalhos de Pasteur
Os trabalhos de Pasteur

II

A Evolução das Substâncias Químicas

Três ideias sobre a origem da vida

Há três posições “filosóficas” em relação à origem da vida. A primeira relaciona-se aos mitos da “criação”, que afirmam que a vida foi criada por uma força suprema ou ser superior; essa hipótese, evidentemente, foge ao campo de ação do raciocínio científico, não podendo ser testada e nem refutada pelos métodos usados pela ciência.
Uma segunda posição se refere à possibilidade de a vida ter se originado fora do planeta Terra e ter sido “semeada” por pedaços de rochas, como meteoritos, que teriam trazido “esporos” ou outras formas de vida alienígena. Esses teriam evoluído nas condições favoráveis da Terra, até originar a diversidade de seres vivos que conhecemos.
Um dado interessante: chegam todos os anos, à superfície da Terra, ao redor de mil toneladas de meteoritos. Em algumas dessas rochas, foram encontradas substâncias orgânicas, como aminoácidos e bases nitrogenadas. Ficou bastante claro, a partir da década de 70, que a matéria orgânica é muito mais frequente no universo do que se acreditava antigamente. Um eminente astrônomo inglês, sir Fred Hoyle, defende a ideia de que material biológico, como vírus, poderia ter chegado do espaço; Hoyle chega a aceitar que isso aconteceria ainda hoje e que de alguma forma esse material “genético” novo poderia ser incorporado aos organismos existentes, modificando assim sua evolução!
De qualquer forma, essas ideias não são seriamente consideradas pela maioria dos cientistas; para começo de conversa, o aquecimento de qualquer corpo que entrasse na atmosfera terrestre seria de tal ordem, que destruiria qualquer forma de vida semelhante às que conhecemos hoje. Por outro lado, aceitar que a vida apareceu “fora” da Terra somente “empurraria” o problema para diante, já que não esclareceria como a vida teria surgido fora daqui.
A terceira posição, a mais em voga hoje, aceita que a vida pode ter surgido espontaneamente sobre o planeta Terra, através da evolução química de substâncias não vivas. Não é fácil ou seguro verificar eventos que ocorreram há bilhões de anos, quando nosso planeta era muito diferente do que é hoje; no entanto, os cientistas conseguiram reproduzir algumas das condições originais em laboratório e descobriram muitas evidências geológicas, químicas e biológicas que reforçam essa hipótese. Essa terceira posição foi defendida pela primeira vez pelo cientista russo Oparin, em 1936, como veremos nos itens a seguir.

Algumas pistas sobre o problema

Nos últimos 120 anos, várias ideias sobre a origem da Terra, sua idade, as condições primitivas da atmosfera foram surgindo. Em particular, verificou-se que os mesmos elementos que predominam nos organismos vivos (carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio) também existem fora deles; nos organismos vivos estes elementos estão combinados de maneira a formar moléculas complexas, como proteínas, polissacarídeos, lipídios e ácidos nucleicos. A diferença básica, então, entre matéria viva e matéria bruta estaria sobretudo ao nível da organização desses elementos. O químico Wöhler, em 1828, já havia fornecido a seguinte pista: substâncias “orgânicas” ou complexas, como a ureia, podem ser formadas em condições de laboratório a partir de substâncias simples, “inorgânicas”. Se as condições adequadas surgiram da Terra, no passado, então a vida poderia ter aparecido do inorgânico.
Uma simples análise das características que os seres vivos exibem hoje mostra, independentemente de sua forma ou tamanho, a presença dos mesmos “tijolos” básicos em todos eles: açúcares simples, os 20 tipos de aminoácidos, os 4 nucleotídeos de DNA e os 4 de RNA, e os lipídios. Ora, depois da pista dada por Wöhler, a que nos referimos, os químicos descobriram que esses compostos podem ser feitos em laboratório, se houver uma fonte de carbono, de nitrogênio, e uma certa quantidade de energia disponível. Assim sendo, se as condições adequadas tivessem estado presentes, no passado da Terra, essas substâncias poderiam ter se formado sem grandes dificuldades.
Várias dessas ideias foram organizadas e apresentadas de forma clara e coerente pelo bioquímico russo Aleksandr I. Oparin, em 1936, no seu livro “A origem da vida”. Repare que, na época, ainda não se sabia que os ácidos nucleicos constituem o material genético dos seres vivos. Vamos enumerar os pontos fundamentais das ideias que Oparin apresenta.

As ideias de Oparin

  1. A idade aproximada da Terra é de 4,5 bilhões de anos, tendo a crosta se solidificado há uns 2,5 bilhões de anos.
  2. A composição da atmosfera primitiva foi provavelmente diferente da atual; não havia nela O2 ou N2; existia amônia (NH3), metano (CH4), vapor de água (H2O) e hidrogênio (H2).
  3. O vapor de água se condensou à medida que a temperatura da crosta diminuiu. Caíram chuvas sobre as rochas quentes, o que provou nova evaporação, nova condensação e assim por diante. Portanto, um ativo ciclo de chuvas.
  4. Radiações ultravioleta e descargas elétricas das tempestades agiram sobre as moléculas da atmosfera primitiva: algumas ligações químicas foram desfeitas, outras surgiram; apareceram assim novos compostos na atmosfera, alguns dos quais orgânicos, como os aminoácidos, por exemplo.
  5. Aminoácidos e outros compostos foram arrastados pela água até a crosta ainda quente. Compostos orgânicos combinaram-se entre si, formando moléculas maiores, como os “proteinoides” (ou substâncias similares a proteínas).
  6. Quando a temperatura das rochas tornou-se inferior a 100oC, já foi possível a existência de água líquida na superfície do globo: os mares estavam se formando. As moléculas orgânicas foram arrastadas para os mares. Na água, as probabilidades de encontro e choques entre moléculas aumentaram muito; formaram-se agregados moleculares maiores, os coacervados.
  7. Os coacervados ainda não são seres vivos; no entanto eles continuam se chocando e reagindo durante um tempo extremamente longo; algum coacervado pôde casualmente atingir a complexidade necessária (lembre-se de que a diferença entre vida e não vida é mera questão de organização). Daí em diante, se tal coacervado teve a propriedade de duplicar-se, pode-se admitir que surgiu a vida, mesmo que sob uma forma extremamente primitiva.

A comprovação experimental

O bioquímico Miller tentou reproduzir em laboratório algumas das condições previstas por Oparin. Construiu um aparelho, que era um sistema fechado, no qual fez circular durante 7 dias uma mistura de gases: metano, hidrogênio, amônia e vapor de água estavam presentes. Um reservatório de água aquecido à temperatura de ebulição permitia a formação de mais vapor de água, que circulava arrastando os outros gases.
A comprovação experimental
A comprovação experimental
Num certo lugar do aparelho, a mistura era submetida a descargas elétricas constantes, simulando os “raios” das tempestades que se acredita terem existido na época. Um pouco adiante, a mistura era esfriada e, ocorrendo condensação, tornava-se novamente líquida. Ao fim da semana, a água do reservatório, analisada pelo método da cromatografia, mostrou a presença de muitas moléculas orgânicas, entre as quais alguns aminoácidos.
Miller, com esta experiência, não provava que aminoácidos realmente se formaram na atmosfera primitiva; apenas demonstrava que, caso as condições de Oparin tivessem se verificado, a síntese de aminoácidos teria sido perfeitamente possível.
Fox, em 1957, realiza a seguinte experiência: aquece uma mistura seca de aminoácidos e verifica que entre muitos deles acontecem ligações peptídicas, formando-se moléculas semelhantes a proteínas (lembre-se de que na ligação peptídica ocorre perda de água ou desidratação). Os resultados de Fox reforçam a seguinte ideia: se, de fato, aminoácidos caíram sobre as rochas quentes, trazidos pela água da chuva, eles poderiam ter sofrido combinações formando moléculas maiores, os proteinoides, que acabariam sendo carregadas aos mares em formação. Percebe-se que Fox tenta testar parte das ideias de Oparin, e seu ponto de partida foi, sem dúvida, a experiência de Miller.
A química dos coloides explica e prevê a reunião de grandes moléculas em certas condições, formando os agregados que chamamos coacervados.
É evidente, porém, que a última etapa da hipótese de Oparin nunca poderá ser testada em laboratório; em outros termos, para conseguirmos que um entre trilhões de coacervados se transformasse, por acaso, em um ser vivo muito simples, teríamos de dispor de um laboratório tão grande quanto os mares primitivos, que contivesse, portanto, um número infinitamente grande de coacervados; além disso, teríamos de dispor de um tempo infinitamente grande, que possibilitasse inúmeras colisões e reações químicas que foram necessárias para se obter pelo menos um sucesso.
Será que, devido à impossibilidade de teste experimental, devemos repelir “a priori” esta fase? Podemos pelo menos pensar nela em termos estatísticos. Vamos dar a palavra a um célebre biólogo, George Wald, que examinou minuciosamente o assunto.

Trechos do artigo “A Origem da Vida”

autor: George Wald
fonte: Scientific American
“…As moléculas formam, pois, um grande e formidável conjunto, de variedade infinita e da mais desconcertante complexidade. Sem elas ninguém poderia nem pensar em organismos…
…Para fabricar um organismo não só é necessária tremenda variedade dessas substâncias, em quantidades e proporções adequadas, como também a perfeita coordenação das mesmas. A estrutura é tão importante aqui quanto a composição — e que complexidade de estrutura! A mais complicada máquina inventada pelo homem — digamos um cérebro eletrônico — não passa de brinquedo diante do mais simples organismo. Mas aqui a maior dificuldade está na estrutura exigir tão pequenas dimensões. Fica ao nível da molécula; consiste de minuciosa ajustagem de uma molécula na outra, o que não está ao alcance de nenhum químico.
Basta considerar a magnitude dessa tarefa para admitir ser impossível a geração espontânea de um organismo. Creio eu, entretanto, que aqui estamos nós em virtude de geração espontânea. Vale a pena, numa pequena digressão, indagar o que entendemos por ‘impossível’.
…O nosso conceito habitual do que seja impossível, possível ou certo deriva da nossa experiência: o número de casos abrangidos por uma vida humana ou quando muito pela história humana conhecida. Neste sentido vulgar e prático, admito que seja ‘impossível’ a origem espontânea da vida. É impossível quando julgamos eventos na escala da experiência humana.
Como veremos, essa concepção não tem grande significado por um motivo: o tempo que se refere ao nosso problema é o tempo geológico, diante do qual toda a duração da história humana é insignificante.
…O ponto importante está na origem da vida pertencer à categoria dos fenômenos do ‘pelo menos uma vez’. Por improvável que julguemos esse evento, ou qualquer de suas etapas, um intervalo de tempo suficientemente longo permitirá quase com certeza que aconteça pelo menos uma vez. E para a vida que conhecemos, com a sua capacidade de crescimento e reprodução, uma vez pode ser o bastante.
Nesse caso, o herói de fato é o tempo. E o tempo com que contamos é da ordem de dois bilhões de anos. Perde aqui o sentido aquilo que, fundados na experiência humana, consideramos impossível. Num intervalo de tempo suficientemente longo, o impossível se torna possível, o possível, provável, e o provável, virtualmente certo. Basta esperar: o tempo, por si só, realiza milagres.”

Ideias recentes sobre a origem da vida

As condições iniciais

Acredita-se hoje que, provavelmente, a composição da atmosfera primitiva foi diferente do que acreditava Oparin; ela teria contido CO, CO2, H2, N2 e vapor de água (não haveria, portanto, metano nem amônia; as fontes de carbono seriam o CO e o CO2, enquanto a de nitrogênio seria o N2). Vapor de água e de gás carbônico teriam sido produzidos pela intensa atividade vulcânica. Mesmo assim, isso não invalida experimentos do tipo “Miller”. Na realidade, foram feitas desde então muitas variantes dessa experiência, modificando-se os gases utilizados e colocando-se algumas substâncias minerais; os cientistas chegaram a obter mais de 100 tipos de “tijolos” orgânicos simples, incluindo nucleotídeos e ATP.

O poder da argila

Algumas teorias recentes dão conta de que os longos polímeros, como proteinoides e fitas de ácidos nucleicos, podem ter se formado, como alternativa às rochas quentes da crosta, em “moldes” de argila. De fato, para ocorrer polimerização, deve haver uma alta concentração das unidades constituintes; na argila, essa concentração pode ter sido alta. Além disso, a argila pode ter agido como “catalisadora” e promovido o aparecimento de ligações simples, como as peptídicas, com perda de água. Alguns biólogos acreditam ainda que a argila foi o meio em que se formaram moléculas RNA, a partir de nucleotídeos simples. A energia para essa polimerização poderia ter sido proveniente do calor da crosta; ou do calor do sol, ou ainda da radiação ultravioleta.

Coacervados ou microesferas?

Há mais de um modelo, além da ideia de coacervados, para explicar como moléculas grandes, tipo proteinoides, teriam se agregado na água, formando estruturas maiores. O pesquisador Fox, colocando proteinoides em água, obteve a formação de pequeninas esferas.
Bilhões de microesferas podem ser obtidas a partir da mistura de um grama de aminoácidos aquecidos, algumas delas formando cadeias, de forma muito semelhante a algumas bactérias atuais. Cada microesfera tem uma camada externa de moléculas de água e proteínas e um meio interno aquoso, que mostra algum movimento, semelhante à ciclose. Essas microesferas podem absorver e concentrar outras moléculas existentes na solução ao seu redor. Podem também se fundir entre si, formando estruturas maiores; em algumas condições, aparecem na superfície “brotos” minúsculos que podem se destacar e crescer.

Como apareceu o gene?

Uma coisa que é importante entender: na hipótese original de Oparin, não há referência aos ácidos nucleicos; não se sabia na época que eles constituem os genes. Muita gente então acreditava que os genes fossem de natureza proteica; afinal, havia sido demonstrada a enorme importância das proteínas como enzimas, material construtor e anticorpos. Dá para entender, por isso, a ênfase que Oparin dá ao aparecimento da proteína. No entanto a hipótese original foi readaptada quando ficou patente a identidade entre genes e ácidos nucleicos.
Acredita-se hoje que a primeira molécula informacional tenha sido o RNA, e não o DNA. Foi feita a interessantíssima descoberta de que certos “pedaços” de RNA têm uma atividade catalítica: eles permitem a produção, a partir de um molde de RNA e de nucleotídeos, de outras fitas de RNA idênticas ao molde! A esses pedaços de RNA com atividade “enzimática”, os biólogos chamam de ribozimas. Isso permite explicar o eventual surgimento e duplicação dos ácidos nucleicos, mesmo na ausência das sofisticadas polimerases que atuam hoje.
O DNA deve ter sido um estágio mais avançado na confecção de um material genético estável; evidentemente, os primeiros DNA teriam sido feitos a partir de um molde de RNA original. Isso lembra bastante, você vai concordar, o modo de atuação do retrovírus, como o da AIDS!
De qualquer forma, esses “genes nus”, isto é, envolvidos por nada, mas livres na argila ou na água, podem ter num período posterior “fixado residência” numa estrutura maior, como um coacervado ou uma microesfera…
Um dos problemas ainda mais perturbadores nessa história toda, relaciona-se ao surgimento do CÓDIGO GENÉTICO. Em outras palavras, o aparecimento de proteínas ou de moléculas de ácidos nucleicos com a capacidade de duplicação, nas condições postuladas, pode ser imaginado sem muita dificuldade, mas permanece extremamente misterioso o método pelo qual as moléculas de ácidos nucleicos teriam tomado conta do controle da produção de proteínas específicas, que tivessem um valor biológico e de sobrevivência. Quem sabe o tempo se encarregará de nos fornecer novas evidências…

Os primeiros organismos: autótrofos ou heterótrofos?

Para entender claramente esta discussão, é útil recordar as equações de três processos biológicos básicos, fermentação, respiração e fotossíntese, que reproduzimos a seguir.
Fermentação (alcoólica): glicose resulta álcool etílico + CO2 + energia
Respiração: glicose + oxigênio resulta CO2 + H2O + energia
Fotossíntese: CO2 + H2O + luz resulta (Clorofila) resulta glicose e O2
 Existem duas hipóteses sobre a origem da vida: a hipótese autotrófica, que propõe que o primeiro ser vivo foi capaz de sintetizar seu próprio alimento orgânico, possivelmente por fotossíntese, e a hipótese heterotrófica, que prevê que os primeiros organismos se nutriam de material orgânico já pronto, que retiravam de seu meio. A maioria dos biólogos atuais acha a hipótese autotrófica pouco aceitável devido a um fato simples: para a realização da fotossíntese, uma célula deve dispor de um equipamento bioquímico mais sofisticado do que o equipamento de um heterótrofo. Como admitir que o primeiro ser vivo, produzido através de reações químicas casuais, já possuísse esse grau de sofisticação? É claro que o primeiro ser vivo poderia ter surgido complexo; porém é muito menos provável que isso tenha acontecido.
Por outro lado, se o primeiro organismo era heterótrofo, o que ele comeria? Hoje os heterótrofos dependem, para sua nutrição, direta ou indiretamente, dos autótrofos autossintetizantes. No entanto não se esqueça de que, de acordo com a hipótese de Oparin, o primeiro organismo surgiu num mar repleto de coacervados orgânicos, que não haviam chegado ao nível de complexidade adequada. Esses coacervados representam então uma fonte abundante de alimento para nosso primeiro organismo, que passaria a comer seus “irmãos” menos bem sucedidos…
Admitamos um primeiro organismo heterótrofo, para o qual alimento não era problema. Pode-se obter energia do alimento através de dois processos: a respiração que depende de O2 molecular, inexistente na época, e a fermentação, processo mais simples, cuja realização dispensa a presença de oxigênio.
Estabeleçamos, a título de hipótese mais provável, que o primeiro organismo deva ter sido um heterótrofo fermentador. A abundância inicial de alimento permite que os primeiros organismos se reproduzam com rapidez; não se esqueça também de que todos os mecanismos da evolução biológica, como a mutação e seleção natural, estão atuando, adaptando os organismos e permitindo o aparecimento de características divergentes.

Surge a fotossíntese

A velocidade de consumo do alimento, no entanto, cresce continuamente, já que o número de organismos aumenta; a reposição desse alimento orgânico através das reações químicas que descrevemos é obviamente muito mais lenta que o seu consumo. Perceba que, se não surgissem por evolução os autótrofos, a vida poderia ter chegado num beco sem saída por falta de alimento.
Em algum momento anterior ao esgotamento total do alimento nos mares, devem ter aparecido os primeiros organismos capazes de realizar fotossíntese; possivelmente usaram como matéria prima o CO2 residual dos processos de fermentação. Sua capacidade de produzir alimento fechava o ciclo produtor/consumidor e permitia o prosseguimento da vida.

Surge a respiração

Um resíduo do processo fotossintético é o oxigênio molecular; por evolução devem ter surgido mais tarde os organismos capazes de respirar aerobicamente, que utilizaram o O2 acumulado durante milhões de anos pelos primeiros autótrofos.
A respiração, não se esqueça, permite extrair do alimento maior quantidade de energia do que a fermentação. Seguramente o modo de vida “respirador” representa, na maioria dos casos, uma grande vantagem sobre o método “fermentador”; não devemos estranhar que a maioria dos organismos atuais respire, apesar de ter conservado a capacidade de fermentar.
Lembre-se, ainda, de que a presença de oxigênio molecular na atmosfera acaba permitindo o aparecimento na atmosfera da camada de ozônio, que permite a filtração de grande parte da radiação ultravioleta emitida pelo sol. Essa radiação é fortemente mutagênica; porém os organismos aquáticos estariam parcialmente protegidos, já que a água funciona como um filtro para ela. De qualquer maneira, o aparecimento do ozônio prepara o terreno para uma futura conquista do ambiente seco, caso alguns organismo um dia se aventurem a fazer experiência.

Aparece a membrana celular

É muito provável que os primeiros organismos tenham sido mais complexos do que os vírus atuais, porém mais simples do que as células mais simples que se conhecem.
Um citologista chamado Robertson acredita que, por evolução, os organismos iniciais devam ter “experimentado” vários tipos de membranas. A vantagem de uma membrana envolvente é clara: ela fornece proteção contra choques mecânicos e, portanto, maior estabilidade à estrutura; porém ela representa uma barreira entre o organismo e o alimento a seu redor, o que é uma desvantagem.
Assim, a membrana ideal deveria ser resistente, com um certo grau de elasticidade, sem deixar de ser suficientemente permeável. Num certo estágio da evolução dos seres vivos, apareceu a membrana lipoproteica, que reúne todos esses atributos e certamente foi um sucesso total, já que todos os seres vivos atuais de estrutura celular a possuem.
Nesse estágio, pode-se falar em organismos procariontes, muito semelhantes às mais simples bactérias atuais.

Procariontes originam eucariontes

Uma membrana traz, entretanto, alguns problemas adicionais: ela se constitui, de certa forma, num obstáculo para o crescimento da estrutura viva. Vamos explicar: à medida que a célula cresce, seu volume aumenta, assim como a superfície de sua membrana; porém a superfície cresce MENOS proporcionalmente, do que o volume. Desse modo, a célula MAIOR se alimenta PIOR. A única forma de restabelecer a relação favorável entre superfície e volume é a divisão da célula, que, assim, nunca pode passar de um certo tamanho.
Portanto o volume dos primeiros organismos é limitado, já que a partir de um certo tamanho tem de acontecer divisão celular. Robertson propõe que, por evolução biológica, alguns organismos devem ter adquirido a capacidade genética de dobrar sua membrana para fora (evaginação). Dessa forma, sem mudanças apreciáveis de volume, aumentaria a superfície em contado como meio. Perceba que na proposta de Robertson fica implícita a ideia de que todos os orgânulos celulares membranosos tiveram a mesma origem; membranas nucleares, do retículo, do Golgi e plasmática nada mais seriam do que dobramentos de uma primitiva membrana.
Na célula atual, de fato, verificam-se dois fatos que apoiam fortemente as ideias de Robertson:
  1. Há comunicação entre todas as membranas celulares, que se apresentam formando um sistema membranoso único.
  2. Todas as membranas celulares têm a mesma composição e são lipoproteicas.
Assim teriam aparecido, muito provavelmente, as primeiras células eucarióticas, que, em alguns casos, levaram vantagem quando competiam com os procariontes. Apesar disso, os procariontes continuaram existindo: são, como sabemos, as inúmeras espécies de bactérias e as cianofíceas atuais.

A origem de algumas organelas celulares

Uma teoria muito em voga atualmente a respeito da origem das organelas celulares é a endossimbiose. Trata-se da seguinte ideia: alguns organismos procariontes teriam sido “engolidos” por células maiores de eucariontes, ficando no interior da célula, mas com capacidade de reprodução independente e realizando determinadas funções. Acredita-se que mitocôndrias e cloroplastos possam ter se originado dessa forma. As mitocôndrias podem ter sido um dia BACTÉRIAS independentes; os cloroplastos, talvez CIANOFÍCEAS ou baterias fotossintetizantes.
Os argumentos a favor dessa ideia são muito fortes: cloroplastos e mitocôndrias possuem material genético próprio, semelhante ao DNA de bactéria. Esse DNA tem capacidade de duplicação, de transcrição; ribossomos existentes no interior desses orgânulos produzem também proteínas próprias. Por fim, ambos os orgânulos têm a capacidade de se reproduzir no interior da célula “hospedeira”.
Uma “troca de favores” poderia ter se estabelecido entre a célula maior e a menor. No caso da mitocôndria, que teria obtido proteção e alimento, sua presença teria permitido que a célula maior aprendesse a RESPIRAR oxigênio, com todas as vantagens inerentes. A simbiose com um procarionte fotossintetizante faria que os eucariontes hospedeiros tivessem síntese de alimento “em domicílio”, obviamente um processo muito vantajoso.